Trama golpista: STF encerra fase de sustentações do núcleo 4
Réus são acusados de espalhar fake news e atacar instituições em 2022
atualizado
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O primeiro dia de julgamento do núcleo 4 da trama golpista terminou, na tarde desta terça-feira (14/10), no Supremo Tribunal Federal (STF), com a conclusão das sustentações orais de todas as defesas dos sete acusados. Durante a sessão, as defesas pediram a absolvição dos réus, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a condenação de todos os envolvidos.
O julgamento será retomado no dia 21 de outubro, quando Moraes apresentará seu voto.
A sessão da tarde recomeçou às 14h com a sustentação oral de Juliana Malafaia, advogada de Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército, cedido à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Alexandre Ramagem — já condenado no julgamento do núcleo 1. Segundo a PF, ele teria usado ferramentas da Abin, como o sistema First Mile, para disseminar informações falsas.
“O acusado não era subordinado de Ramagem. Nunca foi requisitado, bem demandado por Ramagem”, disse a advogada.
Na sequência, falou o advogado Leonardo Avelar, que representa Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército. Ele contestou novamente a competência do STF para julgar o caso. Também disse que a peça acusatória se baseia em “ilações e conjecturas”.
Em penúltimo, realizou a sua sustentação oral o advogado Hassan Magid de Castro Souki, que representa Marcelo Araújo Bormevet, único réu preso. Bormevet é acusado de monitorar ilegalmente autoridades públicas e produzir notícias falsas por meio do sistema da Abin. Ele está preso desde 2024.
Por último, falou o advogado Diego Ricardo Marques, que representa o coronel do Exército Reginaldo Vieira de Abreu, conhecido como “Velame”. Ele é investigado por integrar um grupo de militares suspeitos de planejar uma operação para sequestrar e matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes (STF).
Velame foi chefe de gabinete do general Mário Fernandes e, em conversa com o superior, defendeu uma ruptura democrática ao afirmar: “Quatro linhas da Constituição é o caceta”.
Veja como foi:
Início da sessão e manifestação da PGR
A sessão teve início pouco depois das 9h, conduzida pelo presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino. Em seguida, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, fez a leitura do caso e listou todos os acusados. Após isso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de todos os réus.
Parte das defesas apresentou suas sustentações orais durante a manhã: Ailton Barros, Ângelo Martins Denicoli e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha.
À tarde, falaram as defesas de Giancarlo Gomes Rodrigues e Guilherme Marques de Almeida.
Veja como foi abaixo:
O grupo é acusado de propagar notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e promover ataques virtuais a instituições e autoridades durante as eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que os envolvidos disseminaram desinformação com o objetivo de enfraquecer a credibilidade do processo eleitoral.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também aponta indícios de que os denunciados utilizaram estruturas do Estado — como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Palácio do Planalto — para intimidar opositores e reforçar a narrativa golpista.
