Trama golpista: Almir Garnier alega “vícios” na dosimetria das penas

Advogados do ex-comandante da Marinha pedem esclarecimentos sobre omissões, contradições e possível dupla valoração na fixação das penas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Hugo Barreto/Metrópoles
Foto colorida de Garnier no STF - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de Garnier no STF - Metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

A defesa do ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos apresentou, nesta segunda-feira (27/10), embargos de declaração ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão da Primeira Turma que o condenou a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e aplicou 100 dias-multa.

No documento, os advogados apontam “vícios de omissão, contradição e obscuridade” na dosimetria da pena, a etapa em que o tribunal define os critérios e percentuais usados para aumentar ou reduzir a punição.

Segundo a defesa, há falhas “especificamente quanto à fundamentação das circunstâncias judiciais, disparidade das penas-base fixadas para delitos analisados sob idênticos fundamentos, ausência de individualização da conduta no crime de organização criminosa e falta de motivação da fração de aumento aplicada com base no art. 2º, § 4º, II, da Lei 12.850/2013.”

A defesa ressalta que o objetivo do recurso não é reavaliar provas ou o mérito da condenação, mas garantir “controle de legalidade, proporcionalidade e coerência interna da dosimetria”.

Além disso, o recurso pede que o acórdão esclareça quais atos concretos foram atribuídos a Garnier para caracterizar sua integração dolosa à organização criminosa e qual teria sido o grau de relevância causal de sua conduta. Segundo a defesa, essa explicação é essencial para garantir a correta individualização das penas.

“Caso se entenda inexistir omissão, requer-se o esclarecimento motivado das razões pelas quais a participação do Embargante foi equiparada à dos demais integrantes sem distinção de condutas, a fim de preservar a coerência interna da motivação judicial”, disse a defesa nos embargos.

Condenação de Garnier

O almirante Almir Garnier foi condenado a 24 anos de prisão, sendo 21 e seis meses em reclusão, 2 anos e seis meses de detenção e 100 dias-multa. Ele é apontado como o único comandante das Forças Armadas que teria aderido de forma explícita ao plano golpista do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a acusação, após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022, Garnier colocou tropas da Marinha à disposição do então chefe do Executivo e passou a atuar de maneira ativa no projeto que visava romper a ordem institucional.

Entre os elementos considerados pelo tribunal, está o inédito desfile de tanques da Marinha na Praça dos Três Poderes, em agosto de 2021, realizado no mesmo dia em que o Congresso votava a PEC do voto impresso. Para os investigadores, a ação simbolizava um gesto de alinhamento ao discurso golpista e uma tentativa de pressionar parlamentares.

Segundo a denúncia, o episódio foi articulado nos bastidores do governo com o objetivo de intimidar deputados e senadores durante a votação da proposta.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?