“Todos” os candidatos sabiam de acertos financeiros, afirma delatora
A empresária Mônica Moura apontou pagamentos “por fora” nas campanhas petistas de Marta Suplicy e Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo
atualizado
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A empresária-delatora Monica Moura declarou ao juiz federal Sérgio Moro, na Operação Lava Jato, que “todos” os candidatos sabiam de acertos financeiros eleitorais. Ela é mulher do marqueteiro de campanhas do PT João Santana.
Mônica apontou, nesta terça-feira (18/4), pagamentos “por fora” nas campanhas petistas de Marta Suplicy e Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, em 2008 e 2012, respectivamente, de Gleisi Hoffmann à Prefeitura de Curitiba, em 2008, e Patrus Ananias, em Minas Gerais.
Segundo Monica, houve pagamentos não contabilizados a campanhas na Venezuela e em El Salvador. Durante o depoimento, o magistrado questionou a delatora se os candidatos em geral tinham conhecimento desses acertos financeiros.“Sim, todos tinham. Posso lhe dizer com segurança que todos eles sabiam dos valores exatos, de quanto estavam nos pagando e como era o pagamento”, afirmou. Monica confessou a Moro que “sempre” trabalhou com caixa 2. A delatora acrescentou que “era uma exigência dos partidos que tivesse sempre a maior parte em caixa 2”.
João Santana foi também marqueteiro das campanhas do ex-chefe do Executivo nacional Luiz Inácio Lula da Silva (2006) e da presidente cassada Dilma Rousseff (2010 e 2014). Monica cuidava da contabilidade do casal.
O casal foi interrogado em ação penal sobre lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva relacionados à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobrás.
Segundo a denúncia, entre 2006 e 2015, Palocci estabeleceu com altos executivos da Odebrecht ‘um amplo e permanente esquema de corrupção’ destinado a assegurar o atendimento aos interesses do grupo empresarial na alta cúpula do governo federal.
O Ministério Público Federal aponta que no exercício dos cargos de deputado federal, ministro da Casa Civil e membro do Conselho de Administração da Petrobrás, Palocci interferiu para que o edital de licitação lançado pela estatal e destinado à contratação de 21 sondas fosse formulado e publicado de forma a garantir que a Odebrecht não obtivesse apenas os contratos, mas que também firmasse tais contratos com margem de lucro pretendida.