Tia de baleado em McDonald’s: “Ele está com medo. Queremos justiça”

Mateus Domingues Carvalho, 21, foi agredido e baleado por cliente em lanchonete. Manifestação nesta quarta (11/5) pediu providências

atualizado 11/05/2022 14:55

Daniele Dutra/ Metrópoles

Rio de Janeiro – Família e amigos de Mateus Domingues Carvalho, de 21 anos, se reuniram em frente ao McDonald’s da Taquara, zona oeste do Rio, para pedir justiça, na manhã desta quarta-feira (11/5).

O jovem foi baleado na madrugada da última segunda (9/5), após o sargento do Corpo de Bombeiros Paulo César de Souza Albuquerque invadir o estabelecimento e atirar no rapaz.

“O que a gente pede é justiça. É por isso que eu e os amigos dele estamos aqui. Não houve tiro acidental, ele teve ciência a todo momento que iria cometer isso. Já tinha falado para o Matheus diretamente que daria um tiro nele”, disse ao Metrópoles Marcela Costa, 39, tia da vítima.

Imagens de câmeras de segurança a que o Metrópoles teve acesso mostram o sargento agredindo o jovem pelo vidro do drive-thru, invadindo o estabelecimento e atirando em Matheus. Veja:

Matheus está estável, acordado e continua no CTI do Hospital Municipal Lourenço Jorge, sem previsão de alta. Nos próximos meses, precisará passar por outra cirurgia para reconstruir o intestino, afetado pelo disparo.

O jovem retirou um rim após o órgão acabar dilacerado com a bala no abdômen, mas não vai precisar passar por hemodiálise, segundo informações médicas à família.

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O caso aconteceu por volta das 2h. Segundo testemunhas, o sargento realizou o pedido pelo drive-thru. No fim do atendimento, avisou que tinha um cupom de desconto.

O colaborador da lanchonete respondeu, então, que essa informação precisava ser dada no início. Insatisfeito, o cliente saiu do veículo e socou Mateus. Em seguida, entrou na loja e atirou no funcionário. No ato, familiares mostravam cartazes com os dizeres: “Uma vida vale mais que um cupom”.

“Muitas pessoas têm medo até de falar porque viram que o agressor continua solto. Matheus tem ciência de tudo o que aconteceu, está com medo. Confirmou a história do cupom e o homem se achou no direito de cometer esse ato criminoso, de tentar tirar a vida dele. Quem está preso é quem foi agredido, baleado, e quem fez o ato criminoso está solto”, reclamou a tia de Matheus à reportagem.

Em nota, o Corpo de Bombeiros (CBMERJ) informou que o militar responderá civilmente pelos seus atos na Justiça comum. A corporação já fez o pedido de prisão preventiva do profissional. Paralelamente, o comandante-geral, coronel Leandro Monteiro, determinou a suspensão imediata do porte e posse de armas do militar, além da instauração de um inquérito policial militar para apurar a conduta do profissional e a abertura de um conselho disciplinar.

Mesmo após o pedido de prisão pelo CBMERJ, o militar continua solto, segundo a família. Inicialmente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão feito pelo delegado da 32ª DP, Angelo José Lages Machado, que investiga o caso.

Segundo a juíza plantonista Isabel Teresa Pinto Coelho Diniz, o reconhecimento fotográfico não seria o suficiente para realizar a prisão do bombeiro. Na delegacia, a defesa do bombeiro disse que o tiro foi acidental.

Funcionários com medo

“Eu estou com medo do cara voltar e sair atirando em todo mundo. Temos família, estamos aqui trabalhando. O pior de tudo é que ele continua solto”, relatou Lorena Barbosa, 22, que trabalha com Matheus e estava na loja na hora do ocorrido.

Já outra funcionária reclama da falta de segurança durante a madrugada: “A região tem vários ‘cracudos’, assaltos e só colocaram mais três seguranças depois desse acontecimento. Mas já já vão tirar”, afirmou ela, que preferiu não se identificar.

“Nós ganhamos R$ 1.156, com desconto cai para R$ 800. A gente ganha isso para expor a nossa vida”, relatou outro atendente.

Em nota ao Metrópoles, o McDonald’s disse que lamenta profundamente o ocorrido: “Reforçamos que imediatamente acionamos o resgate para que o funcionário fosse socorrido e encaminhado ao hospital. Estamos em contato com a família do colaborador, dando o apoio necessário. Repudiamos qualquer ato de violência e seguimos colaborando com as investigações. As imagens do circuito interno de segurança já foram compartilhadas com a polícia para contribuir com o esclarecimento do caso”.

A lanchonete que funciona 24 horas fechou apenas por algumas horas e logo reabriu para receber o público.

Matheus e a família são de Minas Gerais. Segundo a tia, que o considera como filho, o jovem veio para o Rio há cinco anos com a intenção de trabalhar, juntar dinheiro e fazer uma faculdade de medicina veterinária. 

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