Uma testemunha ouvida pela 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nessa terça-feira (16/04/19) afirmou que Denis Furtado, conhecido como “Dr.Bumbum”, ficou poucos minutos com a bancária Lilian Calixto, 46 anos, no hospital para onde ela foi levada. Lilian morreu após uma bioplastia nos glúteos feita pelo médico. As informações foram apuradas pelo jornal Extra.

O homem é enfermeiro na unidade de saúde para onde a mulher foi levada após passar mal. Lilian chegou ao hospital com náuseas, pressão arterial muito baixa e dificuldade de respirar. Um policial civil que viu o médico fugindo também prestou depoimento.

Denis Furtado chegou ao Tribunal de Justiça do Rio por volta das 13h30 e não falou com os jornalistas. Também foram ouvidas mais duas testemunhas de acusação e uma de defesa.

Lilian morreu na madrugada de 15 de julho de 2018, após sofrer uma embolia pulmonar. A complicação no estado de saúde se deu um dia após Denis ter injetado em seus glúteos a substância PMMA, derivada do acrílico.

A bancária passou pelo procedimento estético na cobertura de “Dr. Bumbum”, na Barra da Tijuca. A partir de uma denúncia, a Polícia Militar do Rio de Janeiro acionou o setor de Inteligência e prendeu o médico logo depois. O cirurgião e a mãe dele, Maria de Fátima Barros Furtado, estavam em um centro empresarial do mesmo bairro.

O médico atendia em Brasília e no Rio. Denis é alvo de, ao menos, 15 ocorrências policiais registradas no Distrito Federal entre 2011 e 2018. A maioria das denúncias refere-se à falsidade ideológica, a crimes contra o consumidor e ao exercício ilegal da profissão.

Os registros foram feitos nas delegacias do Lago Sul, da Asa Norte e na Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, à Ordem Tributária e à Fraude (Corf). De acordo com um dos inquéritos instaurados na 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), Denis Furtado cobrava caro por consultas e procedimentos, mas não emitia notas fiscais. Ainda com base nas diligências, o médico também adquiria veículos de luxo para, possivelmente, ocultar os rendimentos.

Em novembro do ano passado, o suspeito foi alvo de uma operação da 10ª DP e acabou preso por posse e porte de três armas de fogo. Duas foram apreendidas na casa onde o médico morava. A terceira ele carregava para uma clínica clandestina localizada na QI 23 do Lago Sul.

Os investigadores comprovaram que “Dr. Bumbum” alugou a residência para atender e operar as clientes. O local não tinha alvará, licença da Vigilância Sanitária e autorização no CRM. Maria de Fátima também atuava na casa. Mãe e filho respondem pela morte de Lilian em liberdade.