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Brasil

Terceirizados têm férias suspensas no Ministério do Desenvolvimento

A suspensão causou revolta e indignação aos trabalhadores e colocou novamente sob os holofotes o titular da pasta, Osmar Terra. O ministro cobrou da Câmara dos Deputados, quando era parlamentar, reembolso pela compra de pipoca e refrigerante em um cinema da capital

07/06/2016 23:18, atualizado 08/06/2016 09:58
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Daniel Ferreira/Metrópoles
Terceirizados têm férias suspensas no Ministério do Desenvolvimento

Trabalhadores que prestam serviço no Ministério do Desenvolvimento (MDS) foram pegos de surpresa ao serem informados que, a partir desta semana, todas as férias estão suspensas por tempo indeterminado. Eles trabalham na empresa Works Construção e Serviços e alegam que a medida foi comunicada por um e-mail de uma linha, sem maiores explicações. A decisão se aplica apenas aos terceirizados dessa empresa, e não tem impacto nos servidores de carreira ou nos comissionados.

A suspensão do benefício causou revolta e indignação aos trabalhadores e colocou novamente sob os holofotes o titular da pasta, Osmar Terra, que ocupou lugar de destaque na imprensa no início da semana. Ele cobrou da Câmara dos Deputados, quando era parlamentar, reembolso pela compra de pipoca e refrigerante em um cinema da capital.

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Consultado, o MDS disse que não estava sabendo da decisão da empresa e que tomaria atitudes apenas caso houvesse alguma ilegalidade no processo. “Havendo alguma ilegalidade, o ministério tomará as medidas cabíveis previstas no contrato de prestação do serviço”, afirmou o MDS via assessoria de imprensa.

CLT
O Metrópoles entrou em contato com empregados dessa empresa que relataram dificuldades em função da decisão. Um funcionário contou que já havia comprado passagens e reservado pacotes de turismo e que, diante desse cenário, pode tomar prejuízo caso não faça a viagem no momento que havia planejado.

“Não sei se cancelo bilhetes e reservas, o que pode ser ainda pior se eu deixar para fazer em cima da viagem, pois posso perder muito dinheiro”, afirmou, sob condição de anonimato.

Procurado, o gerente operacional regional da empresa, Luiz Claudio Pereira dos Santos afirmou que a suspensão teve dois motivos: restrições de caixa e incertezas no ministério. O momento político atual, com o impedimento presidencial em curso e alteração no primeiro escalão do governo, trouxe instabilidade a uma série de ministérios dado o momento político atual.

Questionado sobre as reclamações dos funcionários, ele foi lacônico: “Funcionário pode reclamar o quanto for, a CLT (leis trabalhistas) está comigo”, afirmou. Segundo ele, não há funcionários com férias atrasadas na empresa. “Posso ficar até dois anos sem dar as férias, a lei permite”, prosseguiu.

Outro funcionário afirmou que o clima entre os funcionários piorou desde a decisão da empresa. “Ninguém mais sabe qual o futuro dessa empresa. Como se dedicar ao trabalho sendo tratado dessa maneira?”, questionou.