“Tenho medo”, disse filha sobre pai que ganhou na Mega e devia pensão

Até quarta-feira (24/11), Altamir José devia pensão alimentícia de R$ 230 mil à filha com microcefalia

atualizado 25/11/2021 10:03

Volante da Mega-SenaDivulgação

O aposentado Altamir José da Igreja, de 67 anos, causa medo à filha de 44 anos que tem microcefalia. O homem ganhou uma bolada milionária na Mega-Sena e, mesmo assim, tem ficado meses sem pagar a pensão alimentícia da filha. Com mandado de prisão em aberto, Altamir devia R$ 230 mil, mas quitou a dívida – que se arrastava desde meados de 2019 – na manhã de quarta-feira (24/11), segundo seu advogado.

O temor em relação ao pai foi admitido pela filha, que terá o nome preservado nesta reportagem por questões de segurança. O relato da jovem ocorreu durante depoimento no dia 25 de julho de 2019, na Delegacia de Polícia de Tangará, no interior de Santa Catarina.

A filha relatou que, desde que tinha mais ou menos 17 anos, o pai nunca mais tentou contato com ela, nunca a visitou, tampouco a convidou para passear.

“Eu não sinto falta do meu pai, até porque nunca me deu carinho, nunca me deu atenção. Eu até tenho medo do meu pai”, desabafou a mulher, no depoimento ao qual o Metrópoles teve acesso. Na delegacia, ela estava acompanhada da mãe, que alegou, por sua vez, que Altamir não tem “sentimento nenhum de amor ou compaixão” pela filha.

Também por ter ficado sem pagar a pensão, Altamir chegou a ser preso, em 15 de julho de 2019. Na época, ele devia R$ 54,1 mil do suporte à filha. No dia seguinte à prisão, no entanto, o aposentado resolveu pagar a dívida e foi posto em liberdade.

O aposentado ganhou o prêmio da Mega-Sena em 2007. Altamir disputou na Justiça o ganho milionário com outro homem, que era funcionário dele, por quase sete anos. Em 2014, os dois entraram em acordo e dividiram a bolada de R$ 27 milhões da premiação, que, corrigidos à época, ultrapassaram os R$ 40 milhões.

Na delegacia, porém, Altamir disse ter ficado com R$ 5 milhões, alegou ter “investido” o montante e disse passar por “dificuldades financeiras”.

A filha também relatou à Polícia Civil ter poucas lembranças do pai. Ela recordou as duas últimas vezes em que viu o homem: no casamento e na formatura do irmão dela. Eles não se falaram em nenhuma dessas vezes, segundo a mulher.

“A lembrança que tenho é do tempo em que ele morava com minha mãe e até depois que eles se separaram, quando ele vinha na loja brigar com minha mãe”, contou.

A filha detalhou, ainda, que toma oito remédios, para a pressão e tireoide, por exemplo, e que vai para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) desde pequena. Antes, ela ficava o dia todo na Apae, mas passou a ir somente de manhã, para poder almoçar em casa, com a mãe.

O milionário chegou a dizer que não entendia o motivo pelo qual a filha necessita do valor atribuído como pensão, pois a mulher frequenta a Apae e diariamente, segundo ele, “almoça na escola”.

“Desde o mês de fevereiro de 2019, o depoente estava negociando o valor da parcela a ser paga a título de pensão alimentícia, uma vez que havia sido fixada em sete salários mínimos. Durante esse tempo de negociação, o depoente depositava mensalmente a quantia de R$ 2.994”, registra o documento da Delegacia de Polícia de Tangará. “O valor que ainda não quitou ainda está negociando. Já ofertou um terreno em garantia dos valores devidos, porém a mãe […] não aceitou”, prossegue, no depoimento.

Ao Metrópoles o advogado Rodrigo Scarton, defensor de Altamir, afirmou que o cliente tem uma relação “bem complicada” com a própria filha.

“Na realidade, não tem muita ligação. Ele está impedido de encontrar a filha por conta dos processos. Além disso, a genitora não faz questão da relação, talvez por não ter superado as mágoas criadas com o ex-marido”, alegou o advogado, em conversa com a reportagem, na tarde de quarta-feira.

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