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Brasil

Tarifaço pode atingir 36,5% das exportações agrícolas aos EUA, diz CNA

Segundo levantamento da CNA, apesar da ampliação da lista de exceções, mais de 30% das exportações serão atingidas pelo tarifaço

17/07/2026 16:37
Lucas Ninno/Getty Images
Safra de 2026

De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos (EUA) serão impactadas pela tarifa anunciada pelo governo americano.

Segundo a entidade, mesmo com a ampliação da lista de exceções, a medida deve impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte relevante dos embarques do setor.

A CNA calcula que cerca de 63,5% das exportações do agro brasileiro ficariam de fora da taxação, o que reduz o impacto total da medida, mas não elimina preocupações no setor.

Segundo a entidade, o tarifaço pode comprometer a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, abrindo espaço para concorrentes internacionais que não estejam sujeitos à mesma sobretaxa.

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Além disso, há temor de efeitos indiretos, como redirecionamento de fluxos comerciais e pressão sobre preços internacionais, o que pode afetar produtores brasileiros mesmo nos mercados não atingidos diretamente pela medida.

De acordo com a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, a confederação defende a exclusão dos produtos do agronegócio brasileiro da medida imposta pelos EUA e destacou a importância estratégica da relação comercia entre os países.

“Ao longo desse processo, a CNA defendeu o agro brasileiro e demostrou, com dados e evidências, que a produtividade do setor não decorre de práticas desleais de comércio, mas sim de ganhos produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas”, disse.

Entenda o tarifaço contra produtos brasileiros

Na noite da última quinta-feira (15/7), os EUA decidiram taxar as exportações brasileiras em 25% após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.

Após a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes americanos, no entanto, o diálogo entre as equipes não resultou em reversão das taxas.

Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceção para produtos que são considerados essenciais para a cadeia de consumo americana, buscando evitar um aumento nos preços internos, como aconteceu no tarifaço anunciado em 2025.

Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão fora do novo tarifaço, que será imposto a partir do dia 22 de julho.


Veja os produtos que serão impactados: 

  • Produtos industriais e máquinas: maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha para veículos.
  • Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
  • Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.
  • Celulose de dissolução: celulose de dissolução de alta pureza, que foi removida da lista de isenções proposta anteriormente.
  • Produtos químicos de uso geral: certas substâncias químicas (como celulose e fosfoaminolipídeos) só estão isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas; o uso dessas mesmas substâncias em outras indústrias será taxado.