Tarifaço favorece permanência de Alckmin na vice de Lula em 2026

Vice-presidente mantém bom diálogo com o empresariado e ganhou visibilidade ao coordenar resposta ao tarifaço de Trump

atualizado

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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
1 de 1 O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto

O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros esquentou a discussão sobre a possibilidade de Geraldo Alckmin (PSB) repetir a dobradinha com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Na visão de petistas, o vice-presidente, escalado para coordenar a resposta ao governo norte-americano, saiu fortalecido.

A atuação do ex-governador de São Paulo frente à crise com os Estados Unidos foi elogiada nos bastidores, e permitiu que ele ganhasse mais visibilidade junto à população. Outro fator apontado como trunfo de Alckmin é o bom diálogo que mantém com o setor empresarial. Uma das principais tarefas delegadas ao vice-presidente nas últimas semanas foi ouvir empresários afetados pelo tarifaço e apontar soluções.

Além disso, pesa a favor de Alckmin a confiança depositada pelo presidente Lula. O petista, inclusive, já disse publicamente que considera ter acertado em colocá-lo na vice, sobretudo, por sua lealdade.

“O Alckmin tem feito um trabalho extraordinário. E depois uma coisa que eu aprendi é que o Alckmin tem uma lealdade extraordinária na relação comigo. Eu, sinceramente, acho que foi um acerto trazer o Alckmin para ser vice, sabe? Porque senão você poderia trazer uma pessoa que depois ficasse tentando, como o Temer [Michel, ex-presidente da República], dar um golpe na Dilma. O Alckmin não é esse tipo de gente”, defendeu, em entrevista ao podcast Mano a Mano, em julho.


Alckmin coordena resposta do Brasil a Donald Trump

  • Em abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa inicial de 10% sobre os produtos brasileiros. Já em agosto, o republicano aumentou a alíquota para 50%, ampliando a crise comercial.
  • Geraldo Alckmin argumenta que a tarifa é um “perde-perde”, pois encarece produtos americanos e rompe cadeias produtivas. Logo depois da entrada em vigor da nova tarifa, o vice-presidente se encontrou com o encarregado de Negócios dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, e classificou o encontro como “bom”.
  • Alckmin tem reforçado a necessidade de “acalmar os ânimos” e intensificar negociações diplomáticas e que não há justificativas econômicas para a tarifa de 50%.
  • Um dos principais pontos da negociação é a redução da alíquota, excluir mais produtos da taxação, socorrer setores mais afetados e diversificar mercados.

O efeito do tarifaço sobre a popularidade de Alckmin foi testado na última pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, divulgado no início de agosto, o vice-presidente chega a empatar em uma eventual disputa à presidência contra o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em um cenário sem Lula.

Nesse caso, por exemplo, ele supera a principal aposta do PT na sucessão de Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad — que, de acordo com o Datafolha, perderia para Tarcísio.

Disputa embaralhada

Apesar desse fortalecimento, a escolha do nome que vai compor a chapa para a reeleição do petista ainda é incerta. A vaga também é disputada por siglas como o PSD e o MDB.

Alckmin ainda é cotado para concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado como forma de ampliar a base aliada pelo estado. Outros nomes apontados para disputar o Palácio dos Bandeirantes são os dos ministros Fernando Haddad e Márcio França (PSB), do Ministério do Empreendedorismo.

Esse quadro começará a ficar mais claro a partir de setembro, após a instalação do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, que fará um diagnóstico da conjuntura em cada estado.

O Metrópoles conversou com membros do PT que destacam o bom desempenho realizado por Geraldo Alckmin diante das ações de Donald Trump, no entanto, reforçam que ainda é cedo para definir o nome que irá compor a chapa com Lula no ano que vem, caso ele tente a reeleição.

Apesar disso, uma ala petista defende que um nome mais ao centro ocupe o posto de candidato a vice-presidente junto a Lula. A percepção se mantém ainda mais forte depois da eleição de Edinho Silva, ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e ex-prefeito de Araraquara (SP), para presidência da sigla.

A expectativa é que Edinho busque um posicionamento mais discreto, com uma maior aproximação a partidos mais ligados ao centro. Na segunda-feira (18/8), o novo presidente do PT promoveu um jantar em Brasília que contou com nomes de diferentes espectros políticos, incluindo aqueles mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Mais ao centro, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), têm articulado uma possível entrada na chapa com Lula para o Palácio do Planalto em 2026. O petista chegou, inclusive, a se reunir com caciques do MDB para discutir cenários para as próximas eleições, mas nenhum martelo foi batido.

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