Sucuri “sem fim”: fotógrafo de SP encontra cobra gigante em expedição

Organizador de expedições, o biólogo Daniel de Granville se dedica ao registro de sucuris na região de Bonito há cerca de 15 anos

atualizado 20/01/2022 10:46

fotografo sucurisDaniel de Granville

O fotógrafo Daniel de Granville, de 52 anos, chamou atenção nas redes sociais após compartilhar um registro que fez de uma sucuri “sem fim”. O vídeo, gravado em agosto de 2021 na região de Bonito (MS) – onde o profissional morou por 27 anos e trabalhou como guia de turismo e de expedições – foi publicado no sábado (15/1).

Ao Metrópoles, Granville, que hoje vive em Florianópolis (SC), informou que o animal, carinhosamente chamado por ele de “gigante graciosa”, teria tamanho superior a 6 metros de comprimento.

Confira a gravação:

Ele tem formação acadêmica em Biologia, com especialização em Jornalismo Científico. No entanto, atualmente, seu trabalho principal se dá com expedições de fotografia de natureza. Daniel conta que o interesse cresceu quando ele se mudou para o Mato Grosso do Sul, há cerca de 27 anos. Natural de Ribeirão Preto (SP), mudou-se para a região do Pantanal para trabalhar como guia em uma pousada.

“Eu trabalhava como guia em uma pousada que recebia muitos fotógrafos estrangeiro e era designado para acompanhá-los. Nisso fui pegando gosto pela atividade, trocando ideias e dicas. O meu conhecimento da área de biologia e ciência, associado à fotografia, é a principal característica da minha carreira. Minha maior área de atuação são expedições fotográficas para estrangeiros e brasileiros na região do Pantanal Sul e Norte, e Bonito também, no Cerrado”, disse ele.

Com as sucuris, a atividade se intensificou há cerca de 15 anos, entre 2007 e 2008. “Comecei a ter procura de fotógrafos estrangeiros que queriam registrar as cobras embaixo d’água. A região de Bonito (MS) é a única do planeta onde isso é possível, pela presença natural de sucuris e rios de águas extremamente cristalinas. Existem sucuris grandes em outras partes do país também, na Amazônia, por exemplo, mas geralmente a água é bem turva”, explica.

Expansão científica

Entre as diversas experiências e vivências de Granville, ele destaca as que viveu no ambiente subaquático, o que segundo ele, ainda é pouco estudado e explorado pela ciência. “Esse fato de observar sucuris debaixo d’água é um algo pouco estudado. Falta a ciência entender como a sucuri se comporta, se orienta. A maioria dos estudos com elas é no ambiente terrestre. Então essas expedições, além da obtenção de imagens, acabam abrindo um campo de pesquisa sob um outro ponto de vista.”

O fotógrafo conta que, apesar de tantas aventuras, não passou nenhum “perrengue” em suas experiências. “Nas expedições, nunca fomos atacados, ninguém foi predado ou machucado, mas temos um cuidado muito grande. Temos um briefing muito detalhado, orientações prévias com os clientes e toda equipe do que pode e o que não pode ser feito com as sucuris. Não podem ser capturadas, não pode o manuseio, nem encostar a mão, é só mesmo para contemplar, fazer foto, vídeo, respeitando o espaço e a rota de fuga delas, para evitar qualquer tipo de problema”, reforçou o profissional.

Cenas raras

O biólogo também conta que ao longo de todos esses anos presenciou cenas raras com as cobras gigantes. “O processo de acasalamento delas é bem diferente e lá em Bonito (MS) ocorre nos meses de inverno, quando o clima está mais seco. As fêmeas ficam mais expostas. Elas são maiores tanto de comprimento quanto de largura e, em casos extremos, podem pesar até 40 vezes o peso do macho. Uma fêmea copula com vários machos, o que a gente chama de bolo de sucuri”, analisa.

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“Durante toda gestação, que dura 6 ou 7 meses, a fêmea não se alimenta, porque precisa deixar o espaço livre para o crescimento dos filhotes. A sucuri não bota ovo, os filhotes já nascem vivos. Então essa última refeição é antes de entrar em gestação e, às vezes, é um desses machos. Ela mata e se alimenta. Já encontrei uma situação dessa embaixo d’água, uma fêmea que estava com o corpo submerso e a cabeça de fora com um macho enrolado. Tudo indica que pode ter sido isso”, detalhou Granville.

O fotógrafo reforça ainda que a temporada das sucuris dura relativamente pouco, de julho a outubro. Depois disso, elas entram em gestação e “desaparecem” até parirem os filhotes.

Foto premiada

Daniel foi premiado em 2021 com o primeiro lugar no evento internacional The Nature Conservancy. A foto foi feita no ano anterior no Pantanal Norte, durante a pior seca vista em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A atração reuniu inscrições de mais de 100 mil imagens, de 158 países.

“Foi logo no final daqueles incêndios horríveis que fizeram um estrago inédito na região. Eu, a minha esposa e uma amiga decidimos ir para o Pantanal para ver com os próprios olhos. Percorrendo a estrada transpantaneira, indo para o nosso destino, para passar uns dias na beira do rio, vimos a carcaça de jacaré na estrada, no meio da terra seca”, conta.

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Além do prêmio internacional, Granville já venceu outros concursos, como o primeiro prêmio de fotografia de natureza, promovido pela AFNatura, a Associação de Fotógrafos de Natureza. O registro vencedor foi de uma ariranha debaixo d’agua.

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