
STJ investiga suposto favorecimento de ex-governador de MT ao Master
Tribunal apura se o ex-governador Mauro Mendes favoreceu o Banco Master no credenciamento estadual do Credcesta. Mauro Mendes nega

O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) se tornou alvo de uma investigação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar as condições em que o Banco Master participou do credenciamento do programa de consignado oferecido pela instituição financeira, o Credcesta, em 2023.
A informação foi adiantada pelo O Globo e confirmada pelo Metrópoles. A investigação, aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), corre em sigilo na Corte.
O Credcesta é um cartão consignado e produto de crédito, desenvolvido em parceria com o Banco Master, voltado principalmente para servidores públicos, aposentados e pensionistas.
Em 5 de maio de 2023, um decreto assinado pelo então governador estabeleceu uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios para servidores e pensionistas.
No caso de Mato Grosso, a habilitação do cartão para oferecer consignado aos servidores se deu por meio de um processo relâmpago, segundo a investigação.
Três dias depois do decreto, o Master solicitou o credenciamento para operar o programa. Após 24 horas, o procedimento foi aberto na instância estadual e, em 12 de maio, pouco mais de meia hora após o banco de Daniel Vorcaro enviar um documento complementar, o governo estadual deu parecer favorável e abriu caminho para o Credcesta operar em Mato Grosso.
Mauro Mendes renunciou ao cargo em 31 de março de 2026 para viabilizar a pré-candidatura ao Senado nas eleições de outubro.
Outro lado
Procurado pelo Metrópoles, Mauro Mendes informou, por meio de nota, que o decreto que criou o aumento da margem consignável para cartão-benefício, em maio de 2023, foi feito a partir de uma indicação aprovada na Assembleia Legislativa.
Segundo o comunicado, a norma seguiu a legalidade e todos os princípios da administração, e o Master foi “apenas mais um banco” que participou.
“No total, foram 24 instituições credenciadas para fornecer o cartão. Portanto, o Master era apenas mais um desses bancos e sequer foi o primeiro a ter o cadastro aprovado”, diz a nota.
“Antes de Mato Grosso, pelo menos outros 16 estados já possuíam convênios de prestação de serviços com o Banco Master, chegando a 22”, acrescenta.
Mauro Mendes também criticou a divulgação da investigação e se disse alvo de perseguição política.
“O vazamento dessa suposta investigação foi seletivo, jogando uma névoa de dúvidas sobre a minha reputação. Isso cheira a conspiração política, tendo em vista que a notícia circulou exatamente no dia seguinte à confirmação da minha pré-candidatura ao Senado”, alega.

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