Sobrevivente da Boate Kiss casou-se com enfermeira que o atendeu
Emanuel Pastl, que prestou depoimento no julgamento dos 4 réus, virou engenheiro especializado em prevenção contra incêndio

Em meio ao sofrimento da tragédia da Boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em 2013, uma enfermeira e um sobrevivente conseguiram se apaixonar. Emanuel Pastl foi conduzido ao hospital da Ulbra, em Canoas (RS), com queimaduras no corpo e precisou ser internado após inalar a fumaça tóxica. Quando passou aos cuidados da equipe de pele, a responsável por tratar das queimaduras de segundo e terceiro graus foi Mirélle Bernardini, com quem viria a ser seu grande amor.

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Ver todasDe acordo com reportagem de o Estado de S. Paulo, a enfermeira estava enlutada após a morte de seu pai e seu avô e mergulhou de cabeça no trabalho para tentar amenizar a dor. Esforçada até chegar à exaustão no tratamento dos feridos na boate, ela tirou um período de férias.
Na época, Emanuel deixou o hospital para se cuidar em casa e os dois trocaram contatos para que Mirélle continuasse o ajudando com os curativos. A conversa, no entanto, foi além do tratamento hospitalar.
“Após as férias, ela retornou para o hospital de Canoas, onde eu morava e ainda moro. Nos encontramos, começamos a sair mais vezes e nos apaixonamos. Então veio o namoro, o casamento em janeiro de 2018 e estamos juntos até hoje. Temos uma filha, a Antônia, que nasceu em setembro de 2019”, contou Emanuel.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDe acordo com Mirélle, “foi uma união por fatos difíceis”. “Quando ele apareceu no hospital, eu ainda estava ‘digerindo’, o luto. Foi conversando sobre as depressões da vida, sobre como é difícil perder alguém, se reerguer. Eu até citei nos meus votos do casamento que no momento mais difícil das nossas vidas a gente se conheceu e se reergueu juntos”, lembrou.
Durante o depoimento de Emanuel no julgamento do caso Kiss, em Porto Alegre, na quinta-feira (2/12), o sobrevivente falou como vítima da tragédia, mas também apontou questões técnicas. Isso porque formou-se como engenheiro especializado em prevenção contra incêndio.
“Outras Kiss, estatisticamente, vão acontecer. Depois da Kiss, ainda aconteceram incêndios como o do Hospital do Badim, no Rio (2020), no Ninho do Urubu (2019), no prédio da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (2021), e no Museu Nacional (2018). O Brasil é um dos países no mundo com mais mortes decorrentes de incêndios. A raiz do problema é muito ampla, não é uma só. A legislação, por exemplo, é confusa. No Rio Grande do Sul, ela nem está completamente pronta”, disse.
O casal vê o julgamento como um encerramento do drama que viveram por anos.













