Júri da Boate Kiss: testemunha diz que fogos davam “glamour” a shows

Julgamento de réus do processo da tragédia que deixou 242 mortos e mais de 600 feridos entrou no quarto dia neste sábado

atualizado 04/12/2021 19:37

Boate KissWIKIPEDIA COMMOS/DIVULGAÇÃO

O julgamento dos réus acusados pela tragédia na Boate Kiss em 2013 entrou no quarto dia neste sábado (4/12), no Foro Central de Porto Alegre. Os depoentes serão Alexandre Marques, testemunha de defesa de Elissandro Spohr, sócio da Kiss, e o sobrevivente Maike Ariel dos Santos, indicado pelo assistente de acusação.

Produtor musical de uma banda que costumava se apresentar na boate Kiss à época da tragédia (que não era a banda Gurizada Fandangueira, presente no dia do incêndio), Almeida disse aos jurados ser costume a utilização de fogos de artifício em apresentações musicais para trazer “glamour” às apresentações.

Ele disse, porém, que esse tipo de fogos já haviam sido vetados por um dos sócios da Kiss. “No dia que fomos tocar pela primeira vez, nós queríamos fazer bonito. O Marcelo (de Jesus dos Santos, que é músico da Gurizada Fandangueira e réu) sabe como funcionava: você vai em um local diferente e isso [os fogos, conhecidos como Sputnik] gera um certo glamour”. Elissandro Spohr, porém, teria vetado os fogos devido à cortina que havia no palco.

A Gurizada Fandangueira, porém, usou os fogos no dia da tragédia e, segundo a investigação, uma faísca começou o incêndio que matou 242 pessoas e feriu 680.

A promotora que lidera a acusação, Lúcia Helena Callegari considerou o depoimento dele “equivocado” e uma tentativa de “dizer que a Kiss estava certa”.

O sobrevivente Maike Adriel dos Santos, que foi à Kiss com uma turma de amigos dos quais nem todos sobreviveram, relatou aos jurados um cenário de terror: “Respirar aquela fumaça, parecia que estava respirando fogo”, disse ele, que conseguiu sair da boate, mas passou longo tempo hospitalizado:

“Fiquei quase um mês internado. Uma semana em coma. Eu cheguei no hospital, a mãe me disse que induziram o coma pela manhã, pelo meio dia que eu fui piorando e acordei no outro domingo. Chegou um momento que falaram pra minha mãe que não tinha mais o que fazer. [Disseram] se a senhora sabe rezar, comece a rezar”.

Veja quem são os réus:

Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss

Elissandro Callegaro Spohr, apelidado de Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate

Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, era integrante da banda Gurizada Fandangueira

Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, produtor musical da banda

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