Sob risco de prisão por acusar desembargador, jornalista obtém HC

O magistrado teve nome citado em matérias envolvendo esquema de grilagem e pediu a prisão de Arimatéia Azevedo, que obteve proteção judicial

Divulgação/Portal AZ

atualizado 13/01/2020 17:58

O jornalista Arimatéia Azevedo, colunista do Portal AZ de Teresina, no Piauí, teve um pedido de habeas corpus preventivo concedido pela 8ª Vara Criminal de Teresina. Ele estava ameaçado de prisão, após pedido do desembargador Erivan José Lopes, ex-presidente do Tribunal de Justiça do estado.

O desembargador ingressou na Justiça com ação por crime contra a honra, devido às matérias jornalísticas publicadas por Arimatéia. O jornalista divulgou notícias sobre uma denúncia do promotor da cidade de Luis Correia, Galeno Aristoteles, de suposto envolvimento do desembargador Erivan Loes com grilarem de terras no litoral piauiense.

Na ocasião, o promotor divulgou áudios e textos de conversas do magistrado com pessoas supostamente envolvidas no que denominou como “organização criminosa”, entre as quais Manoel Barbosa, titular do cartório da cidade.

O desembargador ainda moveu outra ação contra o jornalista Arimatéia Azevedo. Sentindo-se incomodado com as publicações, conseguiu uma liminar junto ao juízo da 8ª Vara Criminal para proibir o jornalista de citar o seu nome.

A defesa de Arimatéia se antecipou à decisão do juiz e ingressou com o pedido de liberdade preventivo. Com isso, conseguiu o chamado salvo-conduto, que impede Azevedo de ser preso. O habeas corpus foi concedido pelo desembargador Pedro Macedo, que fazia o plantão no tribunal.

Denúncias
Arimatéia foi o primeiro e único profissional da imprensa piauiense a denunciar o crime organizado no Piauí, nos anos 1980, que resultou na prisão do chefe da organização criminosa, o coronel PM Correia Lima e seu bando. O jornalista coleciona mais de uma centena de processos por denunciar supostas ilegalidades cometidas principalmente por agentes públicos.

Arimatéia Azevedo insiste que não pode ser responsabilizado criminalmente por seus textos, que somente relatam fatos públicos, e que também foram objeto de comentário em outros portais e órgãos da imprensa. Para ele, Erivan se defende procurando calar a imprensa do Piauí.

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