Sob freios do STF e TCU, investigações do Master travam no Congresso

Após meses de investigações e sem comissão própria, parlamentares apresentam resultados tímidos sobre a atuação de Daniel Vorcaro

atualizado

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Daniel Vorcaro, do Banco Master -- Metrópoles
1 de 1 Daniel Vorcaro, do Banco Master -- Metrópoles - Foto: null

Sem uma comissão própria e na mira de parlamentares desde o final de 2025, as investigações sobre o Banco Master no Congresso Nacional tiveram resultados tímidos até o final do primeiro trimestre deste ano.

Com as negativas dos presidentes das Casas para instalar comissões de ampla repercussão em meio ao ano eleitoral, parlamentares passaram a usar o escopo de outros colegiados para investigar as atividades de Daniel Vorcaro.

Primeiro, a CPMI do INSS — criada para investigar o esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas — mirou as atividades do Banco Master a partir de fraudes na contratação de crédito consignado na previdência pública.

Como mostrou o Metrópoles, o INSS suspendeu os 250 mil contratos de empréstimos consignados com o Banco Master, que somam R$ 2 bilhões. O Master também acumulou quase 15 mil reclamações sobre empréstimos consignados em uma plataforma do governo federal entre 2020 e janeiro de 2026.

A comissão comandada por Carlos Viana (Podemos-MG) aprovou, em dezembro, a quebra de sigilo e a convocação de Daniel Vorcaro sob a justificativa de prestar esclarecimentos sobre esses contratos.

À medida que o caso Master foi ganhando espaço no noticiário e com a virada do ano, a CPMI recalibrou a artilharia para outras frentes que envolvem o banco. Nos meses seguintes, foram aprovadas as oitivas de pessoas próximas a Vorcaro, como o ex-sócio Augusto Lima, o cunhado Fabiano Zettel e a ex-namorada Martha Graeff. Além disso, foi aprovado a quebra de sigilo do próprio Banco Master.

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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro e a namorada, Martha Graeff
O ministro Dias Toffoli
André Mendonça, ministro do STF
Vorcaro está preso desde  4 de março de 2026
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Vorcaro está preso desde 4 de março de 2026

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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro
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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro

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Daniel Vorcaro e a namorada, Martha Graeff
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Daniel Vorcaro e a namorada, Martha Graeff

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O ministro Dias Toffoli
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O ministro Dias Toffoli

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André Mendonça, ministro do STF
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André Mendonça, ministro do STF

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Parte dos esforços, porém, foram frustrados quando os convocados foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para driblar a obrigatoriedade de comparecer diante da comissão. Um dos primeiros foi o próprio Vorcaro, que se viu livre de prestar depoimento após uma decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte.

O magistrado entendeu que o banqueiro era investigado pela CPMI e que, por isso, podia escolher comparecer ou não. Vorcaro acabou decidindo não ir ao Senado, irritando parlamentares.

Também incomodou a CPMI a demora da Polícia Federal em compartilhar as quebras de sigilo telemático de Vorcaro. Tentando driblar o processo, a CPMI do INSS pediu arquivos de Vorcaro diretamente à Apple, que enviou dados brutos da nuvem do banqueiro. O material foi armazenado em uma sala-cofre.

As investigações duraram pouco: quatro dias depois da instalação da sala-cofre, Mendonça tirou o acesso dos parlamentares aos dados por considerá-los sensíveis e suscetíveis a vazamentos. Depois da decisão, a advocacia do Senado orientou a cúpula da CPMI a limitar o acesso às quebras de sigilo de Vorcaro aos parlamentares.


Mendonça prorroga CPMI do INSS

  • Na segunda-feira (23/3) André Mendonça atendeu ao pedido da CPMI do INSS pela prorrogação.
  • Alegou que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi omisso sobre o pedido de estender os trabalhos por até 120 dias.
  • Deu 48 horas para que seja recebido o requerimento.
  • Na sequência, Alcolumbre consultou a advocacia do Senado para receber um parecer técnico sobre a decisão judicial.
  • Instalada em agosto, a CPMI deveria encerrar os trabalhos até 28 de março.

A CPI do Crime Organizado e Dias Toffoli

O Supremo também barrou as iniciativas da CPI do Crime Organizado que miravam o Banco Master. A comissão, que nasceu em meados de 2025 em meio à repercussão da megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, também passou a investigar a atuação de Vorcaro à medida que o caso Master foi avançando.

Em fevereiro, por exemplo, Mendonça abrandou as convocações dos irmãos do ministro Dias Toffoli na CPI, aprovadas dias antes. Os requerimentos pediam que José Carlos e José Eugenio Dias Toffoli prestassem esclarecimentos sobre as atividades de cassino no resort Tayayá, ligado à família de Toffoli e a Vorcaro.

Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram a quebra de sigilo da Maridt, empresa da família Toffoli que tinha participação societária no resort. A medida foi vetada posteriormente pelo ministro do STF Gilmar Mendes.

Em decisão liminar, o decano da Corte atendeu a um pedido feito pela própria empresa ao Supremo. Para o ministro, a quebra dos sigilos extrapolou o escopo da investigação da CPI. O colegiado entrou com recurso na terça-feira (24/3).

CAE e a queda de braço com o TCU

No início de 2026, em meio às incertezas sobre a viabilidade de uma CPI do Master, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar as investigações do caso.

Para além da atuação do banco de Daniel Vorcaro, Renan mirou eventuais omissões de órgãos reguladores na fiscalização do Master.

Ele também focalizou a condução do Tribunal de Contas da União (TCU) em um processo que avalia a atuação do Banco Central na liquidação do Master.

No TCU, a relatoria do caso ficou com Jhonatan de Jesus, que chegou a determinar uma inspeção no Banco Central. O ministro foi indicado à Corte de Contas pela Câmara dos Deputados e integrou o Centrão durante a carreira política.

Desde o início do ano, Renan Calheiros tem repetido que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) pressionaram membros do TCU para reverter a liquidação.

À época, Renan confirmou ao Metrópoles ter recebido informações de que Motta e Lira teriam atuado para influenciar os rumos de um processo da Corte de Contas que analisa a atuação do BC no caso Master.

O ex-presidente do Senado não detalhou como teria ocorrido a pressão. Motta e Lira negam.

Foi somente no início de março que o TCU aprovou o envio do caso para a CAE, com parte dos arquivos colocados sob sigilo — medida criticada pelos senadores. Pouco depois, o órgão de controle concluiu a auditoria feita no BC, sem apontar irregularidades.

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