Sindicato repudia morte de doméstica por neto da patroa

Jéssica estava grávida de seis meses e foi estuprada e esfaqueada, enquanto segurava o outro filho no colo

Reprodução

atualizado 19/02/2020 18:12

O Sindicato Estadual das Trabalhadoras Domésticas da Bahia (Sindoméstico-Bahia) publicou uma nota de repúdio, nessa terça-feira (18/02/2020), ao assassinato de Jéssica Santiago dos Santos, 29 anos, na casa onde trabalhava no Vale do Canela, no último domingo (16/02/2020).

Jéssica estava grávida de seis meses e foi estuprada e esfaqueada pelo neto da proprietária do local em que trabalhava, enquanto segurava o outro filho no colo. “Uma violência que nos estarrece pelo ritual de crueldade e pela negação da vida humana”, afirma a nota.

“Nós mulheres negras e trabalhadoras domésticas a cada dia vivemos presenciamos e ouvimos relatos de violência contra nossas irmãs. É a carteira de trabalho que não é assinada. É o assédio moral e sexual e o racismo que nos aniquila a cada dia. A vida de nossos filhos que perdemos para violência policial e para o tráfico de drogas. A nossa saúde que se desfaz nos transportes lotados e nas longas distâncias para chegar às casas onde vamos colaborar com a renovação da força produtiva dos trabalhadores e com o cuidado das novas gerações”, diz o comunicado.

A vítima abriu a porta para o agressor e um cúmplice por volta de 1h da manhã e foi morta a facadas. Vizinhos teriam visto quando Jéssica saiu da casa pedindo socorro, ensanguentada, com as roupas rasgadas e segurando o filho no colo. A criança não se feriu, mas o bebê que ela esperava não resistiu e também morreu.

Linchamento
O principal suspeito foi preso após uma tentativa de linchamento por populares e confessou o crime. Ele foi encaminhado para o Hospital Geral do Estado (HGE) e está sob escolta policial.

Confira a nota na íntegra:

“O Sindicato Estadual das Trabalhadoras Domésticas da Bahia (Sindoméstico-Bahia) vem a público solidarizar-se com a família da jovem trabalhadora doméstica, Jéssica Santiago dos Santos, mulher negra de 29 anos, neste momento de perda e dor diante do brutal feminicídio que ceifou-lhe a vida e deixou órfão seu pequeno filho.

Jéssica, grávida de seis meses, na madrugada do dia 16 foi estuprada e esfaqueada em seu local de trabalho pelo neto de sua empregadora, vindo a óbito após pedir socorro, com seu primeiro filho no colo, pelas ruas do bairro Canela. Uma violência que nos estarrece pelo ritual de crueldade e pela negação da vida humana.

Nós mulheres negras e trabalhadoras domésticas a cada dia vivemos, presenciamos e ouvimos relatos de violência contra nossas irmãs. É a carteira de trabalho que não é assinada. É o assédio moral e sexual e o racismo que nos aniquila a cada dia. A vida de nossos filhos que perdemos para violência policial e para o tráfico de drogas. A nossa saúde que se desfaz nos transportes lotados e nas longas distâncias para chegar às casas onde vamos colaborar com a renovação da força produtiva dos trabalhadores e com o cuidado das novas gerações.

Por tudo isso e por mais dignidade e respeito à vida das mulheres, é que pedimos justiça para Jéssica, reparação para sua família e o compromisso do Estado em executar programas e ações de prevenção, assistência e coibição da violência contra as mulheres”.

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