Silveira diz que etanol não está em negociação com EUA por tarifaço
Afirmação do ministro de Minas e Energia contradiz a feita por Dario Durigan, que citou o etanol como exemplo de tema que pode ser negociado
atualizado
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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, negou nesta terça-feira (9/6) que o etanol brasileiro esteja entre os temas em negociação com os Estados Unidos para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais.
“Não, não está. Com os Estados Unidos, queremos apenas defender a soberania do Brasil”, afirmou o ministro, ao ser questionado por jornalistas após participar da cerimônia de assinatura do decreto que regulamenta o Estatuto da Segurança Privada, no Palácio do Planalto.
A declaração, porém, contrasta com a fala mais cedo do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Em entrevista ao portal UOL, o chefe da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brasil prepara uma nova rodada de conversas com o governo norte-americano e que pode haver negociações setoriais, barganhando interesses paralelos entre os países.
Nesse cenário, entrariam em pauta temas como o etanol e a tecnologia de nuvem dos Estados Unidos, além do açúcar e da indústria de aviação brasileiros.
Durigan afirmou ainda que deve ocorrer, “nos próximos dias”, uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Ele também participará do encontro.
“A próxima reunião é para tratar das tarifas entre o ministro Márcio Elias Rosa e o Greer. Eu devo estar presente, devo acompanhar. E, a depender de como essa reunião acontecer, eu não teria problema nenhum em fazer reuniões subsequentes com Scott Bessent (secretário do Tesouro dos Estados Unidos), com outros interlocutores dos Estados Unidos”, declarou o titular da Fazenda.
Ameaça de novo tarifaço
Os Estados Unidos estudam aplicar duas taxações aos produtos brasileiros. A primeira medida propõe uma sobretaxa de 25%. Ela é decorrente de uma punição por supostas práticas “irrazoáveis” apontadas no relatório final do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em uma investigação.
A apuração é fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata da política comercial do país.
A segunda medida propõe um acréscimo de 12,5% porque o Brasil teria falhado em impor uma ação legal que proíba a importação de produtos manufaturados com mão de obra de trabalho forçado. O caso foi tratado em uma investigação que envolve ao todo 60 países.