Quase 1/5 de servidores públicos está em regime home office ou híbrido
Segundo dados do Ministério da Gestão e Inovação (MGI), 24% dos servidores públicos estão em modalidade de trabalho remoto ou híbrido

Dados do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) mostram que, em maio de 2026, 24% dos servidores públicos estavam em alguma modalidade de teletrabalho (home office), seja integral ou híbrido.
Ao todo, são mais de 400 mil profissionais na administração pública federal. Destes, 147 mil estão dentro do Programa de Gestão de Desempenho.
Questionado pelo Metrópoles, o MGI informou que a adoção do modelo home office por órgãos fora do PGD não é autorizada, portanto, dos funcionários ativos, mais de 100 mil atuam nesse modelo.
O número é referente aos servidores públicos civis da administração pública federal, não incluindo, por exemplo, militares e procuradores federais.
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Ver todasSegundo a pasta, a adesão ao PGD é uma decisão discricionária de cada órgão ou entidade, não sendo necessária aprovação prévia por parte do MGI.
“Órgãos e entidades têm autonomia para decidir, no ato de instituição, os percentuais de cada modalidade do PGD (presencial, teletrabalho parcial e teletrabalho integral), tendo como premissas, entre outras, o interesse da Administração Pública, as entregas das unidades e suas necessidades operacionais, a missão e a cultura organizacional e a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população”, informou.
Trabalho remoto para servidores públicos
Dos servidores em modelo remoto, 68,4% estão no modelo híbrido, outros 31,1% trabalham totalmente de forma remota, e 0,5% vivem no exterior.
O MGI informou que, em dezembro de 2024, um mês após a implementação, o número de servidores no modelo de teletrabalho parcial ou integral era de 19%, ou seja, houve aumento de 4% em quase dois anos.
Em dezembro de 2024, eram 12,16%, mais de 53 mil servidores atuando nessa modalidade, percentual que passou para 16,5%, mais de 73 mil em maio de 2026. No mesmo período, o teletrabalho integral se manteve estável, em torno de 7% da força de trabalho.
O ministério informou que o PGD é um modelo de gestão do trabalho baseado em planejamento, pactuação de entregas, monitoramento e avaliação de resultados. Dos 147,8 mil servidores públicos que participam do PGD, apenas 39,6 mil trabalham presencialmente.
“Atualmente, está implantado em 189 órgãos e entidades da Administração Pública Federal e reúne mais de 140 mil participantes. O teletrabalho é apenas uma das modalidades de execução previstas no Programa, ao lado do trabalho presencial e do teletrabalho parcial”, disse.
Confira a lista dos órgãos com mais trabalho remoto:
- Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC): 95,2%;
- Agência Nacional de Saúde (ANS): 90,8%;
- Agência Nacional de Cinema (Ancine): 89,3%;
- Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP): 88,2%;
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM): 84,4%.
Veja todos:
Entenda o funcionamento do PGD
- O Programa de Gestão e Desempenho (PGD) é um modelo da administração pública federal que substitui o controle de jornada pelo foco em metas, entregas e resultados dos servidores públicos.
- Instituído na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o programa organiza e mede o trabalho dos servidores com base na qualidade e na efetividade das atividades realizadas.
- O PGD pode ser executado em diferentes formatos, incluindo trabalho presencial, teletrabalho parcial ou integral.
- A iniciativa busca melhorar o desempenho do serviço público, com mais eficiência, inovação e alinhamento às estratégias dos órgãos.
- Podem participar servidores efetivos, comissionados, empregados públicos, temporários e estagiários, conforme regras de cada órgão.
Reforma administrativa quer regulamentar home office
Um projeto de reforma administrativa apresentado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) prevê a regulamentação mais rígida do home office, com limites para sua adoção pelos órgãos federais. A ideia é estabelecer critérios mais uniformes ao trabalho remoto para os servidores públicos, em meio à expansão do modelo nos últimos anos.
Pelo texto, o teletrabalho ficaria restrito a uma parcela de 20% dos servidores de cada órgão e condicionado ao cumprimento de metas e indicadores de desempenho. A proposta também prevê a manutenção de equipes majoritariamente presenciais, com o objetivo de garantir o funcionamento contínuo dos serviços públicos e evitar distorções entre áreas e carreiras.
Apesar de ter sido apresentada como parte de um esforço mais amplo de modernização do Estado, a proposta ainda não avançou no Congresso Nacional. O texto não chegou a ser votado e segue sem perspectiva de tramitação no curto prazo, em meio à falta de consenso político sobre mudanças estruturais no funcionalismo público.
Principais pontos da medida:
- Limita o teletrabalho a no máximo 20% dos servidores por órgão;
- Restringe o home office a apenas um dia por semana para a maioria dos funcionários;
- Mantém pelo menos 80% da equipe em trabalho presencial diariamente;
- Condiciona a adesão ao modelo a metas de desempenho e produtividade;
- Prevê maior controle e monitoramento das entregas dos servidores;
- Determina presença obrigatória para cargos considerados estratégicos.



