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Servidora foi orientada a lançar joias em acervo da Presidência

Depois, ordem foi suspensa, segundo afirmou em depoimento à Polícia Federal funcionária do Departamento de Documentação Histórica

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra Bolsonaro e joias tcu - Metrópoles - Foto: PR e Reprodução

Em depoimento à Polícia Federal (PF), uma servidora do Departamento de Documentação Histórica do Gabinete, da Presidência da República, afirmou que foi orientada a lançar no acervo histórico do órgão as joias trazidas ao Brasil em outubro de 2021. Os itens seriam um presente da Arábia Saudita para a então primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, mas acabaram apreendidos pela Receita Federal.

Segundo informações do Blog do Waldo Cruz, no site G1, a ordem foi dada antes de as joias serem liberadas pela Receita. Posteriormente, um tenente ligado à Ajudância de Ordens da Presidência pediu que a documentação de inclusão ao patrimônio fossem excluídas do sistema. O oficial foi identificado pela mulher pelo nome Cleiton — ela inclusive entregou à PF um áudio desse servidor.

A ordem para inclusão das joias no acervo da Presidência teria sido dada em 29 de dezembro, às vésperas do então presidente Jair Bolsonaro (PL) deixar o país rumo ao Estados Unidos, após ser derrotado nas eleições de 2022 por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro embarcou em 30 de dezembro. Os documentos sobre as operações de inclusão e exclusão também foram entregues à Polícia Federal.

Servidores do órgão afirmam que tanto o tenente da Ajudância de Ordens da Presidência como os outros envolvidos nas tentativas de liberar as joias não cometeram crime, já que estavam apenas cumprindo ordens “de cima”, e não poderiam ser ignoradas ou descumpridas.

Entenda

Como revelou o Estadão, o governo Bolsonaro tentou trazer para o Brasil, ilegalmente, diversas joias, avaliadas em mais de R$ 16 milhões. Os objetos seriam presente do governo da Arábia Saudita para a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que visitou o país árabe em outubro de 2021, acompanhando a comitiva presidencial. Tratam-se de anel, colar, relógio e brincos de diamante.

O pacote de joias foi apreendido no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na mochila de um assessor de Bento Albuquerque, então ministro de Minas e Energia. No Brasil, a lei determina que todo bem com valor acima de US$ 1 mil seja declarado à Receita Federal. Dessa forma, o agente do órgão reteve os diamantes.

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O governo Bolsonaro teria tentado recuperar as joias acionando três ministérios: Economia, Minas e Energia e Relações Exteriores. Numa quarta movimentação para reaver os objetos, realizada a três dias de o então presidente deixar o governo, um funcionário público utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar a Guarulhos.

O homem teria se identificado como “Jairo” e argumentado que nenhum objeto do governo anterior poderia ficar para o próximo.

Nesta quarta, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou que incorporou ao seu acervo privado alguns dos presentes encaminhados pelo príncipe da Arábia Saudita em 2021, mas alegou que não há ilegalidade no caso do recebimento de joias milionárias trazidas da Arábia Saudita por integrantes de seu governo. A fala ocorreu em entrevista do ex-mandatário da República à CNN.

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