Reforma da Previdência tira até R$ 1,3 mil do salário, dizem policiais

Em uma carta aberta, a categoria pressiona Bolsonaro a ceder em pontos das mudanças no regime de aposentadoria. A possibilidade de greve não está totalmente descartada. Eles participarão de atos programados para 14 de junho

atualizado 07/06/2019 15:32

Tácio Lorran/Metrópoles

Com dificuldades para tramitar no Congresso, a reforma da Previdência deve enfrentar, nas próximas semanas, o recrudescimento do funcionalismo público. A Federação Nacional dos Policiais Federais colocou seus integrantes em alerta para atos contra as mudanças defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Como as negociações entre o governo e a categoria não deslancham, os policiais prometem uma série de ações contra o que eles definiram como “a pior aposentadoria policial do mundo”.

O ponto crucial é que, para os policiais federais, se a reforma for aprovada como está, diminui a remuneração líquida de todos, inclusive dos aposentados. De acordo com cálculos da corporação, as baixas variam de R$ 600 a R$ 1,3 mil no salário. O valor é referente ao aumento na alíquota de contribuição.

Em uma carta aberta, a categoria pressiona Bolsonaro a ceder em pontos das mudanças no regime de aposentadoria. Eles reclamam que, durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro assumiu o  compromisso de manter a similaridade de tratamento entre os policiais federais com os militares das Forças Armadas.

Outro ponto de discórdia é que, em algumas situações, as famílias dos policiais poderão ficar sem pensão. A mudança é chamada pela corporação de “absurda falta de proteção à família do policial”.

A possibilidade de greve não está totalmente descartada. Eles participarão de atos programados para 14 de junho. “Conclamamos toda a categoria para que se coloque em estado de prontidão e atenção às convocações, assim como deslocamentos para Brasília. O apoio concedido pela maioria dos operadores de segurança pública na eleição não será transformado num cheque em branco em prejuízo próprio”, ameaça o documento.

Essa é a terceira vez que a categoria aumenta a tensão com Bolsonaro. No mês passado, a União dos Policiais do Brasil (UPB) realizou uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e criticou o presidente (foto em destaque). “Ele nos abandonou”,  afirmaram. Em fevereiro, movimento semelhante ocorreu.

Com apoio do relator
“Após o envio da proposta foram feitas inúmeras reuniões com os líderes do governo no Executivo e Legislativo, com demonstração das especificidades da carreira policial, bem como participação em várias audiências públicas para esclarecer que a proposta implementa a pior aposentadoria policial do mundo”, destaca o texto assinado pela diretoria executiva da federação.

Segundo a categoria, o relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), demonstrou que estava aguardando o aceno da equipe econômica de Bolsonaro para efetivar as mudanças na aposentadoria policial.

A entidade sindical chama os policiais para uma arrancada contra o texto. “Informamos aos policiais federais a necessidade de ficarem em estado de alerta para convocações e o necessário convencimento dos parlamentares da Comissão Especial, para continuarmos lutando pelos nossos direitos previdenciários”, destaca o texto.

Sem perdas e com economia
Apesar da desconfiança dos policiais, o governo argumenta que não haverá perdas e que, com a reformulação das regras para aposentadoria, em 10 anos será possível economizar R$ 1,2 trilhão, o que auxiliaria no trabalho de conquistar equilíbrio fiscal. Ainda, de acordo com o Ministério da Economia, aqueles que ganham mais pagarão mais na chamada “Nova Previdência”.

Uma das estratégias dos servidores é se valer da fraca articulação do governo no Congresso para dificultar, ou ao menos modificar, pontos da reforma da Previdência. O maior desgaste entre governo e parlamentares é a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — pago a idosos carentes.

Já com os policiais, é motivo de desagrado o governo ter enviado um projeto de lei à parte para as Forças Armadas ao proposto para o regime geral. Os policiais interpretam o texto como “mais benevolente” aos integrantes do Exército, Aeronáutica e Marinha.

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