“Seremos um monte de mendigos na rua”, diz moradora de prédio leiloado
Movimentos sociais protestaram neste sábado contra venda de prédio ocupado no ABC Paulista

São Paulo – O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento de Mulheres Olga Benário realizaram um protesto na manhã deste sábado (1º/5) contra o leilão do prédio que é a sede da Casa de Referência para Mulheres Helenira Preta e a moradia de 40 famílias, da Ocupação Manoel Aleixo.
O terreno ocupado pelos manifestantes fica em Mauá, no ABC Paulista, e foi arrematado pelo lance mínimo de R$ 3 milhões, na última terça-feira (27/4), em leilão realizado pelo governo municipal.
As organizações cobram a suspensão da venda do terreno que pode levar ao despejo de mulheres e sem-teto. De acordo com elas, o prédio foi colocado para leilão pela prefeitura de Mauá sem nenhum contato prévio com os movimentos.
A primeira ocupação de um dos lotes do terreno de 1.600 m² aconteceu em 2018, quando passou a funcionar a Casa Helenira Preta, que já atendeu mais de 600 mulheres vítimas de violência doméstica.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO segundo lote foi ocupado em setembro do ano passado por 40 famílias que se viram sem condições de pagarem aluguel, devido aos impactos causados pela pandemia.

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Ver todasNo terreno, há um prédio de uma antiga escola que estava abandonada. Com suporte do MLB as famílias revitalizaram o espaço e criaram uma cozinha e uma creche.
“Nos estamos aqui gritando que a gente quer direito à moradia, que as nossas famílias estão ameaçadas. Estamos aqui dizendo que vamos resistir, vamos ocupar quantos prédios forem precisos”, disse Selma Alves, integrante do MLB e coordenadora da Ocupação Manuel Aleixo.
Para Matheus Troilo, morador da Ocupação Manuel Aleixo, é necessário estar na rua em protesto para se ter um lugar para morar. “Estamos na rua para anunciar que estão querendo colocar dezenas de famílias nas ruas, em meio a maior crise sanitária do país”, afirmou o manifestante. Sua vizinha na ocupação, a Eliete Moreira, completa: “Seremos mais um monte de mendigos nas ruas [de SP]”.















