Senadores acusam Centrão de tentar esvaziar depoimento de Vorcaro
Dono do Banco Master falará primeiro na CPMI do INSS com escopo reduzido. Depois, seguirá para a CAE, que apura fraudes bancárias
atualizado
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Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado têm afirmado, sob reserva, que parlamentares do Centrão atuaram para esvaziar o depoimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao colegiado. A estratégia, segundo eles, passou pela antecipação de uma audiência de Vorcaro com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Inicialmente, a CPMI do INSS havia indicado que ouviria Vorcaro no próximo dia 26. Nessa quarta-feira (18/2), o colegiado anunciou, contudo, que o depoimento foi remarcado para a próxima segunda-feira (23/2). Já a CAE planeja ouvir o dono do Master no dia seguinte, 24 de fevereiro. O colegiado criou, em janeiro, um grupo de trabalho para acompanhar as investigações em torno do banco, que é acusado de fraudes financeiras.
Para um dos membros do colegiado, a antecipação do depoimento à CPMI do INSS representa o medo do Centrão de que Vorcaro fale. “Provavelmente [é uma tática de esvaziamento da comissão]. Eles não querem que o Vorcaro fale”, disse um senador sob reserva.
Acordo
Integrantes do colegiado do Senado afirmam que havia uma espécie de acordo com a defesa de Daniel Vorcaro para que o banqueiro prestasse depoimento na próxima semana. A CAE chegou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a liberação de Vorcaro para a oitiva.
O pedido foi feito no dia 13 de fevereiro e foi encaminhado ao relator dos inquéritos que tratam do caso Master no STF, ministro André Mendonça. Até o momento, não houve decisão.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro durante uma operação da PF que mirou o Banco Master. Ele foi transferido para prisão domiciliar quase duas semanas depois. Por causa disso, cabe ao STF decidir se ele pode deixar a sua residência, em São Paulo, para prestar depoimento no Congresso Nacional, em Brasília.
O grupo de trabalho da CAE pretende convidar e convocar autoridades a depor sobre o Banco Master. A expectativa é de que, na conclusão, o colegiado apresente um relatório com sugestões para melhorar a fiscalização de instituições financeiras.
“Do ponto de vista do Senado, nosso papel é fazer o aprimoramento da legislação, da fiscalização, compreender o papel da Comissão de Valores Mobiliários”, afirmou o presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL).
Sob reserva, um parlamentar do colegiado afirmou que o grupo não disputa “protagonismo com a CPMI”. “O Centrão está enganado. Nosso trabalho é permanente, técnico”, disse.
Em nota oficial, a CAE reiterou o entendimento.
“A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, como um todo, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação”, diz a manifestação.
