Sem semicondutores, montadoras podem paralisar operações em poucas semanas

Secretário do governo afirma que montadoras brasileiras podem paralisar entre duas e três semanas

atualizado

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Imagem de fábrica da Ford nos Estados Unidos, com carros enfileirados - Metrópoles
1 de 1 Imagem de fábrica da Ford nos Estados Unidos, com carros enfileirados - Metrópoles - Foto: Bill Pugliano/Getty Images

O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, afirmou nesta terça-feira (28/10) que se a crise dos semicondutores perdurar, as montadoras brasileiras podem ser paralisadas dentro de duas a três semanas.

“Se não houver uma solução nesse espaço de tempo curto, duas a três semanas, pode haver um processo de paralisação de algumas montadoras. […] A gente sabe quais são, mas a gente não pode mencionar por uma questão de segredo industrial”, afirmou o secretário.

A declaração foi dada após reunião convocada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin — que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e organizações dos setor, como o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) para tratar sobre a escassez de chips no mercado global.

“É importante deixar clara a preocupação do governo, porque a gente está falando de um setor que corresponde a 20% da indústria de transformação, que é o setor automotivo, incorporando aí toda a cadeia. A paralisação desse setor significa impactar diretamente mais ou menos 130 mil empregos e 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos. Então tem uma prioridade total por parte do vice-presidente”, destacou o secretário.

Na semana passada, a Anfavea afirmou que há risco de paralisação na produção de veículos no Brasil por causa da falta de semicondutores, o que pode afetar as operações de diversas montadoras no país.

Segundo a associação, a nova crise dos chips semicondutores se dá em meio a disputas geopolíticas intensificadas depois que o governo da Holanda assumiu o controle da fabricanete Nexperia, uma gigante da indústria que atua no país, subsidiária de um grupo chinês.

“Em resposta, a China impôs restrições à exportação de componentes eletrônicos, o que já afeta a produção em algumas fábricas automotivas na Europa e arrisca parar montadoras no Brasil”, afirma a Anfavea.

A entidade aponta que um veículo moderno usa, em média, de mil a 3 mil chips e, sem esses componentes, “as fabricantes não conseguem manter a linha de produção em andamento”.

A guerra global em torno dos semicondutores envolve uma verdadeira corrida por minerais críticos capitaneada por Estados Unidos, China, Japão e diversas nações da Europa. Quase toda a cadeia de fabricação demanda vários metais e minerais estratégicos.

A produção desses minerais está concentrada em poucos países, entre os quais a China – que responde atualmente por cerca de 70% da mineração de terras raras, mais de 90% do refino e quase 100% da produção de ímãs permanentes.

Segundo Uallace Moreira, o governo brasileiro quer “deixar bem claro que o Brasil está fora desse conflito de natureza geopolítica e que, portanto, o Brasil não pode e não deve participar ou sofrer as consequências desse embargo”. O secretário afirmou que Alckmin está em contato com o governo chinês para reduzir o impacto da crise no Brasil.

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