Secretária da Saúde foi responsável por difusão de cloroquina no AM

Ao MPF, Mayra Pinheiro, conhecida como "Capitã Cloroquina", afirmou que coordenou todas as ações da pasta em Manaus

atualizado 06/05/2021 9:53

Mayra PinheiroReprodução / Facebook

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou ao Ministério Público Federal (MPF) que foi a responsável por coordenar ações de difusão de medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina em Manaus (AM).

O depoimento de Mayra Pinheiro foi obtido com exclusividade pelo jornal O Globo, e divulgado nesta quinta-feira (6/5). A secretária é uma das seis pessoas investigadas pelo MPF no Amazonas por improbidade administrativa.

O ex-ministro Eduardo Pazuello e outros secretários da pasta também são investigados ouvidos pelo órgão, que apura omissão no enfrentamento à crise de saúde em Manaus no começo de 2021. Mayra Pinheiro também foi convocada para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal.

Ao Ministério Público, a secretária disse que foi designada para coordenar todas as ações do Ministério da Saúde em Manaus. Ela afirmou que a competência foi “delegada pelo ministro da Saúde”, Eduardo Pazuello, que comandava a pasta à época.

“Nós fizemos uma série de ações que foram planejadas inicialmente por mim. A função das visitas era conversar com os colegas médicos, tentar orientá-los sobre o atendimento precoce nas unidades, sobre todos os recursos que eles poderiam fazer para que a gente pudesse salvar mais vidas”, justificou.

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“Kit Covid”

Sobre os remédios do chamado “Kit Covid”, como hidroxicloroquina, cloroquina e azitromicina, que não têm eficácia comprovada cientificamente, Mayra disse que os médicos têm “autonomia” para prescrever os fármacos.

Essa foi a recomendação do ministério, afirmou a secretária.

“A orientação do Ministério desde maio [foi de disponibilizar] uma orientação para os médicos brasileiros. Para que, de acordo com a autonomia que foi dada a eles pelo Conselho Federal de Medicina, a sua autonomia de prescrever, e a autonomia do paciente de querer, [os profissionais da saúde] pudessem receitar medicamentos com doses seguras, como a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina”, disse.

A secretária afirmou que, atualmente, existem referências científicas de que os fármacos têm efeito positivo no combate à Covid-19, mas não citou pesquisas específicas.

“Naquela época, só tinha comprovação in vitro. Hoje tem mais de 250 referências mostrando o potencial efeito dessas medicações com estudos já em elevada fase de evidencia de que eles podem diminuir”, ressaltou.

Veja o trecho do depoimento de Mayra Pinheiro, obtido pelo jornal O Globo:

“Capitã Cloroquina”

Mayra Pinheiro é defensora do uso dos medicamentos citados no combate à Covid-19. Conhecida popularmente como “Capitã Cloroquina”, a secretária é uma das gestoras mantidas no Ministério da Saúde mesmo após a saída de Eduardo Pazuello da pasta.

Apesar de ser um defensor do uso de evidências científicas para o combate ao coronavírus, o atual ministro Marcelo Queiroga manteve Mayra Pinheiro no comando da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde.

Em março deste ano, Mayra foi contaminada pelo coronavírus. Em uma rede social, a secretária relatou sintomas como dor de cabeça, prostração e dor de garganta, e afirmou que teve melhora no quadro após utilizar ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina, zinco e vitamina D.

“Alguém ao ler esse relato perguntará: por que tantos medicamentos antivirais? Porque todos têm mecanismos de ações diferentes e podem abortar a doença na fase viral”, escreveu no dia 21 de março, sem citar fontes científicas de que os fármacos são eficazes.

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