SBI é acionada pelo MPF por não recomendar tratamento precoce contra Covid-19
Procurador questionou se entidade conhece orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde e cobrou “embasamento” para entendimento diferente
atualizado
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O Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) pediu explicações à Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) após a entidade não recomendar tratamento precoce de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, com qualquer medicamento. A medida é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo Ministério da Saúde.
O procurador da República Ailton Benedito, que é chefe do MPF-GO, requisitou cópias dos documentos oficiais que sustentam a atribuição de posicionamento da SBI a diversos órgãos. Ele também pede que a entidade informe se tem conhecimento das orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde e que esclareça se os estudos científicos que embasam as orientações do governo não têm valor científico para a SBI.
A entidade tem prazo de cinco dias para enviar as informações solicitadas e deverá fazer uma declaração de que não existe conflito de interesse com empresas farmacêuticas.
Ao contrário das orientações do Ministério da Saúde, a SBI não recomenda o uso de qualquer medicamento para tratamento precoce, incluindo cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal e dióxido de cloro.
De acordo com a SBI, na fase inicial, da doença, medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, podem ser usados em pacientes que apresentem dor ou febre.
“Os estudos clínicos randomizados com grupos de controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns desses medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19”, justifica.
A entidade sustenta que a orientação está alinhada com sociedades científicas e médicas internacionais, tais como o Instituto Nacional de Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Nesta quinta-feira (12/10), a SBI atualizou as orientações referentes ao tratamento da Covid-19. O documento também alerta que a reinfecção parece ser incomum. Um caso foi confirmado no Brasil pelo Ministério da Saúde.
“A maioria das pessoas que tiveram infecção assintomática ou a doença Covid-19 provavelmente estará imune por, pelo menos, três a cinco meses. Estudos em andamento e estudos futuros responderão por quanto tempo o paciente ficará imune com mais precisão”, destaca o documento.
