Saúde pressiona Prefeitura de Manaus para aderir ao “tratamento precoce” contra a Covid-19

Sistema de Saúde da cidade sofre com falta de leitos. A média de mortes vem aumentando na capital do Amazonas

atualizado 13/01/2021 13:35

ministro saude eduardo pazuello coletiva 3Rafaela Felicciano/Metrópoles

O Ministério da Saúde está pressionando a Prefeitura de Manaus para que distribua medicamentos sem a eficácia comprovada contra a Covid-19, como cloroquina e ivermectina, para tratar os pacientes infectados pela doença.

Um documento enviado pelo Ministério da Saúde à Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, obtido pela Folha de S.Paulo, diz que a alternativa de não utilizar os medicamentos é “inadmissível”, tendo em vista a grave situação enfrentada por Manaus.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, acompanhado do prefeito de Manaus, David Almeida, e do governador do Amazonas, visitou a Unidade Básica de Saúde (UBS) Nilton Lins, localizada no bairro Flores, nessa segunda-feira (11/1). O local terá uma extensão destinada exclusivamente ao atendimento de pacientes com síndromes gripais ou suspeitas de Covid-19.

A capital do Amazonas está sofrendo com um grande aumento no número de casos de Covid e falta de leitos para atender ao contingente de pacientes.

A secretária de Saúde de Manaus, Shadia Fraxe, disse à Folha que só distribuirá medicamentos cuja eficácia tenha sido comprovada por estudos científicos e que tenham passado por aprovação dos conselhos regional e federal de medicina. No entanto, ela afirma que entende as pessoas que estão recorrendo a esses remédios.

Vivemos uma situação muito diferente em Manaus. Existem muitas pessoas que estão desesperadas, querendo tentar de tudo. Não posso tirar isso delas”, diz. “Mas essa medicação nem chegou aqui”, explicou a secretária.

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“Quando falam em ‘tratamento precoce’ estão falando em hidroxicloroquina, ivermectina. Não tem como dizer que não. Que tem sido usados por muitas pessoas. A internet bombando com esses estudos”, destacou Shadia.

Fraxe, que esteve com Pazuello nesta segunda (11/1), contou que a conversa com membros do Ministério da Saúde não passou pelo assunto de um “tratamento precoce”.

Tratamento precoce

Em nota enviada ao Metrópoles, o Ministério da Saúde informou que “trabalha constantemente no enfrentamento à pandemia da Covid-19” e defende o “tratamento precoce”.

“Além do apoio e suporte com leitos, insumos e medicamentos, o Ministério orienta a adoção do tratamento precoce. A medida é fundamental para evitar casos graves da doença. É muito importante que, diante de qualquer sintoma, as pessoas procurem atendimento médico para receberem as orientações adequadas”, diz o texto.

A pasta ressaltou que o desejo dos pacientes também precisa ser levado em conta. “O tratamento precoce aumenta as chances de recuperação e diminui o número de internações. Reforçamos que o protocolo está a critério dos profissionais de saúde, em acordo com a vontade dos pacientes, e que cabe ao ministério orientar as medidas preventivas e de atendimento precoce contra a Covid-19”, conclui.

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