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Saúde

Jejum passa a ser dispensado para 99% dos exames de sangue

Pesquisas que mostraram que o consumo de alimentos antes da realização desses testes causa baixa ou nenhuma interferência nas análises

23/02/2017 05:30
Blood sample with blank label
Jejum passa a ser dispensado para 99% dos exames de sangue

Uma decisão recente das principais organizações que integram a sociedade médica brasileira flexibilizou a necessidade de jejum para exames de sangue com perfil lipídico — aqueles que determinam as dosagens de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos.

O novo consenso é resultado de uma série de pesquisas científicas e do avanço das metodologias diagnósticas que demonstraram que o consumo de alimentos antes da realização desses exames — desde que habituais e sem sobrecarga de gordura — causa baixa ou nenhuma interferência na análise do perfil lipídico.

Nessa terça-feira (21/2), 45 integrantes da comunidade médica de Brasília se reuniram para discutir o assunto. Segundo o endocrinologista Sérgio Vêncio, especialista que contribuiu para os estudos e a formalização do consenso, hoje, 99,9% dos exames de sangue não necessitam do jejum. A partir de agora, os médicos deverão indicar ou não a necessidade do jejum e determinar o período, quando for o caso.

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“Essa é uma tendência mundial. Caminhamos para que em pouco tempo o jejum não seja obrigatório para nenhum exame. Desta forma, cabe ao médico ter senso crítico para avaliar os resultados de acordo com o tempo de jejum realizado ou a falta dele”, explica Vêncio.

A medida beneficia, principalmente, grupos considerados de risco como gestantes, idosos, bebês e diabéticos, que podem entrar numa situação de hipoglicemia — quando o nível de glicose no sangue está abaixo da faixa considerada normal (60mg/dl), podendo causar tonturas, vômitos, náuseas e até desmaios.

Acervo pessoal
Para Luana, a decisão facilita a vida de mães e reduz os traumas para os bebês

A flexibilização também vai facilitar a vida de pessoas como Luana Pontes, de 28 anos, mãe de Cauã, de um ano e um mês. No último mês, o bebê precisou fazer um hemograma e uma análise sanguínea com o objetivo de detectar alergias. Para isso, foi solicitado um jejum de oito horas.

“Não deixei ele mamar na madrugada. Foi muito complicado, porque ele mama o tempo todo quando está comigo. O que fiz foi levá-lo bem cedo para a coleta, mas foi horrível. Ele chorou, reclamou, brigou muito. Não dormimos nada. Fiquei com o coração na mão e o peito transbordando de tão cheio”, conta.

No fim, apesar de todo o esforço, ao chegar ao laboratório, Luana ouviu da enfermeira que o jejum de oito horas era desnecessário. “Ela falou que duas horas já seriam suficiente. Fiquei com muito ódio desse exame”, disse.

De acordo com a diretora médica do Laboratório Exame, Tatiana Veloso, dos 3 mil exames oferecidos pela empresa, apenas 15 precisam de jejum. “Essa prática já é realidade nos Estados Unidos, Canadá e em países da Europa. Com a evolução tecnológica, já é possível avaliar o real estado metabólico do paciente sem a abstenção da alimentação”, acrescenta. No entanto, ressalta que cada médico tem autonomia para solicitar ou não o jejum.

Confira a lista dos exames que necessitam de jejum:

EXAMEJEJUM
Proteína ligadora de IGF4 horas
Polipeptídeo pancreático4 horas
Homocisteína6 horas
Haptoglobina6 horas
Peptídeo C8 horas
Tolerância a lactose8 horas
Tolerância a glicose8horas
Ácidos graxos de cadeia ramificadas8 horas
Vitamina B68 horas
Absorção de xilose8 horas
Vitamina C8 horas
Glicemia8 horas
Gastrina12 horas
Adiponectina12 horas
Ácidos graxos de cadeia longa12 horas
Ácidos graxos12 horas

Outra vantagem da nova orientação, segundo Tatiana Veloso, será a diminuição do fluxo nos laboratórios no período da manhã. “Agora, o paciente terá a comodidade de escolher qual o melhor horário do dia para fazer a coleta. Os médicos também têm muito a ganhar, pois podem ter acesso aos resultados mais rapidamente”, destaca.

Sobre os lanchinhos tradicionais servidos após as coletas de sangue, a diretora comenta que “não vão acabar, pelo menos no laboratório Exame”, brinca.

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e confira do Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico, elaborado em conjunto pela SBPC/ML e Sociedades Brasileiras de Cardiologia/Departamento de Aterosclerose (SBC/DA), Análises Clínicas (SBAC), Diabetes (SBD) e Endocrinologia e Metabologia (SBEM).