De olho na 3ª onda da Covid, AM teme falta de oxigênio e remédios

Governador Wilson Lima (PSC) encontrou o ministro Marcelo Queiroga para tratar de plano de contingência no Amazonas.

atualizado 22/04/2021 12:47

Wilson LimaDiego Peres/Secom

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), disse que o estado prepara um plano de contingência para evitar um novo colapso no sistema de saúde do Amazonas, semelhante ao de janeiro. Lima teme mais um momento crítico, com falta de insumos como oxigênio e remédios do kit intubação para pacientes com Covid-19 da região.

O assunto foi levado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em reunião na manhã desta quinta-feira (22/4).

Segundo o governador, o estado enxerga a possibilidade de uma terceira onda de Covid-19 em breve, tendo em vista as características dos dois últimos picos que atingiram a região.

No entanto, expectativa é de que o próximo agravamento seja menos intenso que os anteriores, devido à vacinação e ao fim da época de chuvas.

“O Amazonas tem sido um estado que primeiro tem agravamento [no número de casos], e depois acontece com o restante do país”, lembrou o governador.

“Esperamos que a terceira onda não seja tão forte quanto a segunda, levando em consideração o quanto a gente já conseguiu avançar com a vacinação e também o período sazonal que estamos enfrentando: o período de estiagem, também conhecido como verão amazônico, onde há uma diminuição das síndromes respiratórias”, continuou.

Ápice

O governador pontuou que, no ápice da segunda onda, o estado passou de um consumo diário de 15 mil metros cúbicos de oxigênio para 80 mil metros cúbicos, em apenas 15 dias.

“No mês de maio, a gente vai conseguir ter um panorama de como os números de casos e óbitos vão se comportar. A gente está todos os dias revisando inúmeros, trabalhando em parceria da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) para revisar o plano que acabamos de entregar ao ministro”, disse.

A proposta principal do plano de contingência é garantir habilitação de mais leitos de terapia intensiva (UTI) e o estoque de medicamentos para intubação, que estão em falta ou em baixa quantidade em diversos estados do país.

Doação da Espanha

Na quarta-feira (21/4), o ministro Marcelo Queiroga anunciou que 80 mil unidades de remédios doados pelo governo da Espanha devem chegar ao Brasil até o fim da próxima semana. O titular da Saúde também garantiu que 1,5 milhão de unidades chegam ao país até maio.

“A gente prevê o aumento da nossa estrutura hospitalar, sobretudo no interior do estado. Há uma preocupação muito grande da nossa parte com o oxigênio e o kit intubação. Hoje, o Brasil está enfrentando um problema que enfrentamos nos meses de janeiro e fevereiro”, explicou Lima.

Segundo ele, o Amazonas tem esses insumos em quantidade para atender a demanda próprio. Porém, há uma preocupação de que, com o consumo tão demandado no restante do país, não seja possível que esses produtos cheguem ao estado.

De acordo com o governador, Queiroga citou a compra de remédios do kit em parceria com a Opas para abastecer os estados. O ministro também deve estudar a habilitação de novos leitos no estado. Lima disse que esse é um dos maiores desafios do Amazonas, já que grande parte dos pacientes graves do interior precisam ser transferidos para a capital.

“Nosso planejamento é montar essas estruturas em cinco municípios do interior, assim a gente desafogaria a capital, uma vez que todos os casos graves do interior são transferidos para a capital de UTI aérea, que é um gasto muito alto”, explicou.

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