Crise da água no Rio chega ao 12º dia com sinais de agravamento

Casos de enjoo e diarreia estão aumentando no estado, apesar de a Cedae garantir potabilidade da água. Onda de fake news piora o cenário

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atualizado 15/01/2020 15:56

Junto ao calor, a virada do ano trouxe para a população do Rio de Janeiro uma crise no abastecimento de água. Em cidades do interior do estado e em amplas áreas da capital, especialmente nas zonas Norte e Oeste, a água tem saído da torneira com a cor turva e cheiro e gosto de terra ou ferrugem desde o dia 3 de janeiro.

Apesar de a empresa responsável pela distribuição garantir a qualidade do produto, relatos de enjoos e diarreia têm aumentado na cidade – e novo boletim de saúde deve confirmar o agravamento da situação hoje. Como consequência dos problemas na torneira, a população está buscando mais água mineral, o que está fazendo as garrafas faltarem nas prateleiras.

A procura por galões retornáveis, de 10 e 20 litros, dobrou na capital em relação à procura habitual, conta o diretor do Sindicato Nacional da Indústria de Águas Minerais (Sindicam), Marcelo Pacheco. “No caso das garrafas descartáveis, o aumento foi de uns 30%. São números expressivos, e a indústria está tomando medidas para aumentar a produção para dar conta dessa demanda”, afirma ele.

A previsão de Pacheco é de que as empresas consigam atender plenamente as necessidades em uma semana. “Até lá, deveremos seguir com a falta pontual do produto em alguns comércios”, afirma.

A culpa é das algas
Responsável pelo tratamento e distribuição da água fluminense, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) tem garantido que a qualidade do produto “está dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde e própria para o consumo”. Apesar disso, a empresa anunciou que adotará “em caráter permanente, a aplicação de carvão ativado pulverizado no início do tratamento”.

De acordo com a Cedae, a água distribuída aos moradores do Rio de Janeiro está com cor e gosto de terra por causa da presença de uma substância chamada Geosmina. “A Geosmina é uma substância orgânica produzida por algas e que não representa nenhum risco à saúde dos consumidores”, informou a empresa, em nota. “O fenômeno natural e raro de aumento de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico, causa o aumento da presença deste composto orgânico, levando a água a apresentar gosto e cheiro de terra”, diz ainda o texto.

A versão da Cedae, porém, tem sido questionada por especialistas. Em entrevista à TV Globo no Rio, o infectologista Edmilson Migowski advertiu que a água desse jeito não deve ser bebida nem usada na preparação de alimentos. “A princípio, uma água que tem cor, sabor e cheiro, não é uma água própria para o consumo humano. Deve manter a água distante dos olhos, da boca e da ingestão”, alertou o especialista, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Está chovendo fake news
A crise da água no Rio está sendo terreno fértil para a proliferação de alertas falsos em redes sociais. A UFRJ, por exemplo, divulgou nota para desmentir um áudio que circula em aplicativos de mensagens e faz referência a um profissional que seria oriundo do Departamento de Microbiologia da Universidade. Esse profissional teria dito, entre outras informações, que análises da água local revelaram “intensa contaminação por coliformes fecais”. A direção do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG) da UFRJ confirmou que “nenhum docente da unidade emitiu essa mensagem e outras contidas no áudio”.

A fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) precisou fazer o mesmo. Veja:

A própria Cedae tem divulgado vários desmentidos sobre interrupções no fornecimento de água para manutenção da rede. A empresa reafirma que a água distribuída tem condições de consumo.

Investigações
Apesar de a Cedae garantir a qualidade da água, o Ministério Público do Rio abriu investigação para apurar o caso. Na última segunda-feira (13/01/2020), técnicos ligados ao órgão fizeram uma vistoria nas instalações da companhia em Nova Iguaçu, recolhendo amostras da água. O MP promete averiguar “a qualidade da água fornecida à população fluminense pelo Sistema Guandu, que abastece mais de 8 milhões de pessoas”.

Divulgação/MPRJ

 

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