Coronavírus: sem scanner, aeroportos do Brasil usam alerta sonoro

Instrumento usa sensores eletrônicos para detectar febre em passageiros. Anvisa diz que têm pouca efetividade

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 30/01/2020 11:08

Passageiros que desembarcam nos principais aeroportos do Brasil já ouvem mensagens de alerta sobre o coronavírus, que deixou 170 mortos na China e mais de 7,7 mil infectados pelo mundo. As mensagens de um minuto de duração — em português, inglês e mandarim — informam sobre os sintomas da doença e as medidas para evitar a transmissão.

Mas, diferentemente de terminais da Europa e dos Estados Unidos, não serão usados scanners térmicos para detectar passageiros com febre. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esses aparelhos têm pouca efetividade para identificar casos suspeitos.

Nesta semana, os aeroportos de Roma e Milão, na Itália, passaram a usar aparelhos portáteis para medir a temperatura corporal dos passageiros que lá desembarcam. Nos Estados Unidos, onde essa tecnologia já é mais comum, equipamentos do tipo têm sido usados em algumas cidades desde a semana passada.

O scanner é um instrumento portátil com uma tela que, com o auxílio de sensores eletrônicos, muda de cor de azul para vermelho em caso de febre. A cor muda quando a temperatura do corpo excede 37,5° C. Nesse caso, o alerta é acionado, e o passageiro é levado ao sistema de saúde para uma possível quarentena.

Às vezes, é preciso que cada passageiro fique na frente do scanner por alguns segundos para verificar a temperatura, mas as máquinas mais sofisticadas conseguem acionar seus sensores mesmo na multidão, para acelerar também os procedimentos de controle.

Em nota, a Anvisa informou que o uso de scanners não é obrigatório nem é indicado como ação preventiva, uma vez que a efetividade é baixa na detecção dos casos. “Isso ocorre porque os casos em que a pessoa não está manifestando os sintomas não são captados pelo scanner.”

Segundo a agência, o foco da ação nos aeroportos é garantir a adoção de medidas preventivas para a comunidade aeroportuária, fazer com que os procedimentos de desinfecção e limpeza das aeronaves sejam realizados corretamente e encaminhar os casos de pessoas que estejam manifestando sintomas.

Recomendação é notificar caso suspeito imediatamente
A orientação passada pela Anvisa aos aeroportos é para que os órgãos sanitários sejam notificados imediatamente em caso de suspeita — pessoas que estão em vias de desembarque e apresentam sintomas como tosse, febre e dificuldade para respirar.

No caso dos passageiros a bordo, os tripulantes foram orientados a informar o comandante do voo se houver suspeita. Este, por sua vez, fará contato com a torre de controle do aeroporto, que acionará a Anvisa.

O passageiro com sintomas será abordado antes do desembarque para a checar a situação. A Anvisa aciona o serviço médico do aeroporto e a vigilância sanitária do município e a equipe vai a bordo para avaliar o paciente.

Se o médico descartar o caso, o desembarque dos passageiros é liberado. Caso a suspeita seja mantida, o passageiro doente é removido para um hospital de referência. Os demais passageiros são entrevistados pela vigilância epidemiológica para que possam ser monitorados. A aeronave passa por desinfecção, inclusive dos efluentes.

Veja as medidas adotadas nos aeroportos brasileiros para evitar o coronavírus

Guarulhos
No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, uma reunião entre a Anvisa, a concessionária, companhias aéreas, empresas de limpeza e a Polícia Federal definiu um plano de resposta a possíveis suspeitas.

Conforme a concessionária, foram reforçados os protocolos e também houve reforço nos estoques de equipamentos de proteção usados pelas equipes operacionais responsáveis pela supervisão dos terminais.

Galeão
No Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, as ações preventivas foram reforçadas nessa terça-feira (28/01/2020) depois da confirmação de casos suspeitos no Brasil. O Galeão é o segundo aeroporto do país que mais recebe voos da China, atrás só de Guarulhos. Entre novembro e dezembro, 1,5 mil chineses desembarcaram no Rio.

Os aeroportos devem receber uma cartilha com orientações a serem entregues principalmente a passageiros provenientes da China. O material ainda está sendo preparado pelo Ministério da Saúde. O governo federal informou que não vai restringir a chegada de chineses ao Brasil.

Viracopos
O aeroporto de Viracopos, em Campinas, informou ter adotado desde o fim de semana as medidas recomendadas pela Anvisa, incluindo os avisos sonoros alertando os passageiros sobre os sintomas da doença e riscos de transmissão. Os avisos são emitidos de hora em hora no sistema de som do terminal de passageiros.

A concessionária informou que a versão das mensagens enviadas pela Anvisa, por causa do perfil do aeroporto, são apenas em português.

Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, onde foi registrado o primeiro caso suspeito de coronavírus no Brasil, houve reforço nos cuidados. Os sinais sonoros são emitidos desde a última sexta-feira (24/01/2020) e foram intensificados os procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações. Os funcionários tiveram reforço nos estoques de equipamentos de proteção individual.

Salvador
No aeroporto de Salvador, a concessionária iniciou a instalação de recipientes com álcool em gel em diversos pontos, como canais de inspeção, áreas de imigração no desembarque internacional, praça de alimentação e setor administrativo, além das saídas de sanitários do Pier Sul, onde ocorrem os voos internacionais.

Também reforçou informações de prevenção e controle aos funcionários do aeroporto, especialmente aqueles que lidam diretamente com os passageiros. Os avisos sonoros são veiculados desde segunda-feira (27/01/2020).

Porto Alegre
A concessionária do Aeroporto Internacional de Porto Alegre informou que as diretrizes da Anvisa em relação ao coronavírus vêm sendo adotadas desde a sexta-feira e que os avisos sonoros são replicados de hora em hora no terminal de passageiros.

As medidas foram reforçadas nessa terça-feira, após a confirmação de um caso suspeito no estado, que foi posteriormente descartado.

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