Bolsonaro anuncia revogação de decreto sobre privatização de parte do SUS
Secretaria-Geral da Presidência informou que haverá edição extra do DOU cancelando o decreto que permite estudos de privatização das UBS

Pouco depois de o Ministério da Economia defender, na tarde desta quarta-feira (28/10), o Decreto nº 10.530/20, que abre caminho para a privatização de unidades básicas de saúde (UBS), partes fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), a Secretaria-Geral da Presidência da República informou que sairá edição extra do Diário Oficial da União nas próximas horas cancelando a medida.
A pasta havia assegurado que “os serviços seguirão sendo 100% gratuitos para a população”. Minutos depois, entretanto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou em entrevista à rede CNN Brasil o recuo.
Segundo a reportagem, o mandatário do país aprova o texto, mas teria ficado incomodado com as fortes repercussões negativas da iniciativa e, por isso, decidiu recuar.
Em nota, o Ministério da Economia havia assinalado que a decisão de incluir as UBS no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) foi tomada após pedido da Saúde, com apoio da própria pasta.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO objetivo, de acordo com a Economia, seria “incentivar a participação da iniciativa privada no sistema para elevar a qualidade do serviço prestado ao cidadão, racionalizar custos, introduzir mecanismos de remuneração por desempenho, novos critérios de escala e redes integradas de atenção à saúde em um novo modelo de atendimento”.
De acordo com o Ministério da Saúde, a participação privada no setor é “importante diante das restrições fiscais e das dificuldades de aperfeiçoar o modelo de governança por meio de contratações tradicionais”.
O governo afirma que há, atualmente, mais de 4 mil UBS com obras inacabadas – que, de acordo com o Ministério da Saúde, já consumiram R$ 1,7 bilhão de recursos do SUS.
“Os estudos que o PPI foi autorizado a fazer devem visar a capacidade técnica e qualidade no atendimento ao sistema público de saúde. Devem ser focados em arranjos que envolvem a infraestrutura, os serviços médicos e os serviços de apoio, de forma isolada ou integrada, sob a gestão de um único prestador de serviços, o que possibilita estabelecer indicadores e metas de qualidade para o atendimento prestado diretamente à população”, finalizou a pasta.
Confira a revogação do decreto:
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