Ricardo Salles: “Quem tem que dizer como o Brasil vai combater o desmatamento ilegal é o Brasil”

Em entrevista ao Metrópoles, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, repercutiu temas polêmicos que o colocaram debaixo de fogo cruzado

atualizado 24/04/2021 11:10

Metrópoles

Na mira de críticas que reúnem vozes de várias partes do mundo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, passou por prova de fogo nos últimos dias. Ambientalistas, artistas, autoridades nacionais e internacionais pediram a cabeça de Salles. Ele foi alvo de notícia-crime apresentada por delegado da PF que o acusou de interferir na maior apreensão de madeira do país. Nas redes sociais, o chefe da pasta do Meio Ambiente chegou a ser o assunto mais comentado. Apesar do desgaste, segue no cargo, com a bênção de Jair Bolsonaro.

O presidente da República referendou a condução de Ricardo Salles na política ambiental ao reproduzir pensamento do ministro na reunião da Cúpula do Clima. Na ocasião, Bolsonaro pediu “justa remuneração” de outros países pelos “serviços ambientais prestados pelo Brasil”. Uma mudança de discurso após afirmar que dinheiro externo para a Amazônia seria fonte de ameaça à soberania brasileira.

Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, o ministro Salles avaliou em que termos o governo federal espera usufruir dos possíveis recursos internacionais: “Uma coisa é você receber dinheiro para fazer o que eles querem. Outra coisa é o Brasil receber recursos para implementar o que nós propomos” (confira a partir de 7′). “Quem tem que dizer como o Brasil vai combater o desmatamento ilegal é o Brasil”, afirmou Salles.

Sobre a polêmica envolvendo o delegado Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF no Amazonas, o ministro negou ter pedido a cabeça do investigador. “Caiu porque resolveu buscar holofotes. No dia que ele soube que ia ser removido [do cargo de superintendente da PF], ele apresentou uma notícia-crime absurda contra mim no Supremo Tribunal Federal. Totalmente fantasiosa, sem nenhuma prova. Fez isso para buscar holofotes” (16′).

Salles defendeu-se da acusação de que age em favor de madeireiros. “Dizer que eu fui defender madeireiro, eu não tenho nada a ver com isso. O que não pode é uma situação de indefinição, um processo em que [os madeireiros] sequer tiveram a oportunidade de apresentar documentos e ficaram 120 dias esperando para apresentar defesa”, argumentou (18′).

Dobrar a meta
Na Cúpula de Líderes sobre o Clima, Bolsonaro falou em dobrar os recursos destinados às ações de fiscalização dos órgãos ambientais. Mas não especificou valores. Salles afirmou que os recursos reservados para essa finalidade giram em torno de R$ 118 milhões. “Nós falamos em dobrar, portanto, chegaremos a R$ 236 milhões”, anunciou (5’40”).

Ao sancionar o orçamento geral, na última quinta-feira (23/4), no entanto, o governo federal vetou R$ 240 milhões que seriam destinados ao Ministério do Meio Ambiente, como mostrou o Metrópoles. O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima também teve corte orçamentário de R$ 4,5 milhões.

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Mudanças no Ibama
Salles revelou que, a partir da reação de servidores do Ibama, o Ministério do Meio Ambiente deve alterar pontos da instrução normativa que mudou as regras para a aplicação de infrações ambientais pelo órgão. O texto foi questionado por mais de 400 servidores de carreira, que fizeram duras críticas às alterações determinadas pelo governo.

Segundo o ministro, há duas revisões em análise (25′). Uma que amplia o prazo para apresentação do relatório sobre a ação de fiscalização. E outra que permitirá o início do processo administrativo a partir do auto de infração, com a possibilidade de entrega posterior do relatório.

O ministro do Meio Ambiente comentou a recente discussão com Anitta no Twitter. A cantora se uniu ao movimento que pedia a saída de Salles. O ministro respondeu ao protesto virtual chamando a funkeira de “teletubbie”. Ela retrucou: “Imaturo”. “Nós temos, em algum momento, que dar uma resposta para essa coisa panfletária que fazem alguns artistas”, disse o ministro ao Metrópoles.
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Sobre a forte pressão que os países fazem para o governo brasileiro se comprometer a reduzir a emissão de poluentes, Salles sustentou que o Brasil não é um “vilão das emissões de gases de efeito estufa”. “O Brasil apresentou a sua colaboração para a questão climática, ainda que não tenha sido, nem de longe, um dos países que contribuíram para o acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera, quer seja no aspecto histórico ou no fluxo presente”, disse (4’40”).

Salles também falou dos entraves para a liberação dos recursos do Fundo Amazônia (14’30”), da carta enviada por governadores ao presidente dos EUA, Joe Biden, e das expectativas do governo federal após a participação de Bolsonaro na Cúpula do Clima.

Confira a entrevista:

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