Saiba quem é Roberto Ferreira Dias, acusado de pedir propina por vacina

Indicado por Ricardo Barros, Dias foi nomeado para o cargo ainda na gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta

atualizado 29/06/2021 21:57

Roberto Ferreira DiasMarcello Casal Jr./ Agência Brasil

Atual diretor de Logística do Ministério da Saúde, o nome de Roberto Ferreira Dias entrou no centro de uma denúncia grave na noite desta terça-feira (29/6). De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, o representante da empresa de vacinas Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, afirmou que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de imunizante em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde. O pedido teria partido, segundo Pereira, de Dias.

Dias foi nomeado para o cargo ainda na gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Ele foi indicado pelo líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019.

Em outubro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro pediu a retirada da tramitação de Dias para o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em substituição a Alessandra Bastos Soares.

Em edição extra publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 19 de fevereiro deste ano, Dias aparece como signatário dos contratos firmados pelo Ministério da Saúde para a compra das vacinas Sputnik e Covaxin. A primeira consta na publicação oficial no valor de R$ 693,6 milhões, enquanto a segunda, por R$ 1,6 bilhão.

Irregularidades

A desistência do chefe do Executivo ocorreu após a divulgação de informações de que Dias estaria envolvido em irregularidades no Ministério da Saúde.

Notícia divulgada à época pelo jornal Estado de S. Paulo aponta que Dias assinou um contrato de R$ 133,2 milhões do Ministério da Saúde que estava sob suspeita de irregularidade.

De acordo com a reportagem, o servidor assinou, em 21 de agosto, um contrato com a empresa Life Technologies Brasil Comércio e Indústria de Produtos para Biotecnologia Ltda, para a compra de 10 milhões de kits de materiais utilizados em testes de Covid-19. A suspeita de irregularidade no contrato foi informada ao Tribunal de Contas da União (TCU) pela Diretoria de Integridade do próprio Ministério da Saúde.

À reportagem, Dias alegou que ele mesmo sugeriu, em 18 de setembro, a nulidade do contrato diante de “vícios” identificados. O contrato foi assinado cerca de um mês antes.

Entenda

A proposta anunciada por Luiz Paulo Dominguetti Pereira teria partido de Dias durante um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, no dia 25 de fevereiro.

A empresa Davati buscou a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca com uma proposta feita de US$ 3,5 por cada (depois disso passou a US$ 15,5). “O caminho do que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”, disse Dominguetti.

“Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo”, afirmou à Folha o representante da empresa.

Dominguetti deu mais detalhes: ​”A eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: ‘Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma”.

A Folha perguntou então qual seria essa ‘forma’. “Acrescentar 1 dólar”, respondeu. Segundo ele, US$ 1 por dose. “E, olha, foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estavam ele [Dias] e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília”, ressaltou Dominguetti.

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