RJ vai vacinar 26 mil detentos na capital com 2ª dose a partir do dia 8
A ação contempla privados de liberdade em unidades prisionais da capital. Mulheres já estão com o esquema vacinal contra a Covid completo
atualizado
Compartilhar notícia

Rio de Janeiro – Equipes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) se preparam para completar a imunização contra a Covid-19 dos internos masculinos que cumprem pena em regime fechado nas cadeias da capital fluminense. A ação para a aplicação da segunda dose nos homens encarcerados começará no próximo dia 8 e deve seguir até 1/10.
Com uma rotina especial de segurança nos presídios, a campanha atingirá 26.231 internos – ficam de fora aqueles que ingressaram no sistema penitenciário recentemente. A população carcerária da cidade do Rio tem 34.742 internos, representando 81% dos privados de liberdade no estado (que soma 43.800 apenados).
As mulheres presas em regime fechado já estão 100% vacinadas de acordo com o plano nacional de imunização.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, o programa de imunização voltado à população privada de liberdade é essencial para que o sistema de saúde não seja sobrecarregado.
“Presos, quando adoecem, acabam chegando aos hospitais bem debilitados, o que causa sobrecarga na rede. E, neste caso da Covid, é ainda pior, uma vez que eles têm mais risco de disseminar o vírus entre eles pelo fato de estarem encarcerados e aglomerados em ambiente fechado. Um doente pode representar muitas internações”, explica.
O próximo passo é vacinar também adolescentes infratores que cumpre medidas socioeducativas. “Para isso, o Ministério precisa mandar vacinas. Há uma necessidade de 15.6 milhões de doses para retomar o calendário da cidade, entre as estocadas com o Ministério”, argumenta, lembrando que, recentemente, o Instituto Butantan fez a entrega de 100 milhões de doses de Coronavac. “A gente ainda aguarda”, reclama.
Em julho, durante reunião virtual do Comitê Interinstitucional para Acompanhamento das Medidas de Enfrentamento à Covid-19, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), o juiz Bruno Rulière explicou que os novos internos ingressam no sistema vacinados após as audiências de custódia, facilitando o processo – a segunda dose desses detentos será dada de acordo com os prazos determinados pelo Ministério da Saúde.
“Gostaria de registrar como são supreendentemente positivos esses dados. Tenho tido informações sobre outros estados e, comparativamente, o Rio atingiu uma marca admirável. Gostaria de cumprimentar e reconhecer publicamente todos os envolvidos”, declarou o magistrado.
Atrasos na agenda
A aplicação de segunda dose da Coronavac para a população geral foi suspensa no Rio a partir desta quinta-feira (2/9), por falta de doses, assim como a vacinação para adolescentes, pausada desde quarta-feira (1/9) pelo mesmo motivo. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, não houve repasse de antígenos nesta semana pelo Ministério da Saúde e, por isso, “se vê obrigada, por falta de doses, a mais uma vez suspender a aplicação de segundas doses desta vacina”.
A segunda dose dos outros imunizantes segue sendo aplicada, assim como a primeira dose para quem busca repescagem. Segundo a SMS, a busca pela primeira dose por quem ainda não havia buscado uma das unidades de saúde aumentou após o anúncio feito pelo prefeito Eduardo Paes, na sexta-feira (27/8), de que um certificado de vacinação será exigido para o acesso a locais coletivos, como academias de ginástica, teatros e cinemas.
Foram 48.531 primeiras doses aplicadas no sábado (29/8), três vezes mais do que no sábado anterior (apenas 15.957 primeiras doses). De acordo com a SMS, a média de primeiras doses aplicadas em sábados de repescagem é 10 mil.
