RJ: funcionário que denunciou vereador de SP por racismo é demitido

Presidente da Câmara de Embu das Artes, Renato Oliveira foi preso dentro de uma piscina. Ele responde por injúria racial e resistência

atualizado 15/03/2022 12:28

Vereador Renato Oliveira (MDB) é presidente da Câmara de Embu das ArtesReprodução

Rio de Janeiro – Depois de denunciar um vereador de São Paulo por racismo em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, o supervisor operacional Izac Gomes foi demitido do cargo. O funcionário denunciou o vereador de Embu das Artes, Renato Oliveira, por racismo.

“Eu sofri racismo em pleno domingo, no sol quente, dentro de uma piscina, enquanto estava  trabalhando e 14 dias depois fui demitido covardemente, sem nem saber o motivo. Minha vida mudou, a vida da minha família mudou, a preocupação é constante”, disse Izac Gomes ao Metrópoles.

O supervisor trabalhou no condomínio do Estrelas Full Condominium, por quatro anos, sem qualquer advertência no período. Após demiti-lo, a empresa também retirou o apoio jurídico de Izac no caso sofrido por ele no horário de trabalho.

0

Ele acusa o Presidente da Câmara de Embu das Artes, Renato Oliveira, de racismo. O parlamentar que estava na área de lazer do condomínio, resistiu à ordem de prisão, e um policial militar precisou entrar na piscina para conseguir detê-lo.

“A síndica me chamou numa reunião sem pauta, gritou comigo, com outros funcionários, me enxotou para fora da sala e dois dias depois me demitiu. Não sei se o motivo foi influência do vereador, ou se ela não gostou de eu ter feito a denúncia. Só sei que fiquei sem advogado e sem emprego”, disse Izac.

Ajuda na Alerj

Como ficou sem apoio jurídico, ele foi até a Comissão de Trabalho e de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, pedir ajuda.

Por ter denunciado uma figura pública, Izac tem medo de sofrer retaliações. O vereador chegou a ir para a delegacia, mas foi liberado. Ele responde em liberdade.

“Ele é um cara perigoso. Vai à júri popular por tentativa de homicídio qualificado em um caso em São Paulo. Como não ter medo? Quem vai garantir que não vai acontecer nada comigo?”, disse Izac.

Izac foi encaminhado até o Núcleo contra a Desigualdade Racial da Defensoria Pública, de acordo com a presidente  da Comissão de Trabalho e vice da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça da Assembleia Legislativa do Rio, Mônica Francisco (PSOL).

“Este caso não é um ponto isolado, mas se insere em uma série de práticas racistas, que acontecem todos os dias na nossa sociedade. O crime de injúria racial não termina ali, no momento das ofensas. Infelizmente, ele se estende e afeta da pior maneira a vida das vítimas. Não bastasse ter sofrido injúria racial, Izac perdeu o emprego, sente medo e perdeu o apoio jurídico indispensável neste momento. Enfim, foi abandonado por ter tido a coragem de denunciar o racismo”, disse Mônica Francisco, Deputada Estadual.

O condomínio da Barra da Tijuca também será oficiado para prestar explicações sobre a motivação da demissão. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também vai ser comunicado sobre o caso.

O inquérito de racismo está no Ministério Público do Rio de Janeiro e Izac aguarda a decisão do promotor de denunciar o vereador. O supervisor também denunciou a síndica e o condomínio ao MPT.

Mais lidas
Últimas notícias