“Rendesivir não cura, mas desafoga hospitais”, diz Anvisa com registro

Gustavo Mendes, gerente Medicamentos e Produtos Biológicos da agência, explica que Rendesivir será importante para amenizar crise por UTIs

atualizado 12/03/2021 13:25

Emergência de hospital Igo Estrela/ Metrópoles

Registrado como o primeiro antiviral contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o Rendesivir, na prática, não é tratado como um medicamento capaz de curar a enfermidade, mas sim, importante para a redução do tempo de internação.

Segundo Gustavo Mendes, gerente-geral Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o remédio terá impacto na superlotação dos leitos, já que estudos indicam redução no período de hospitalização.

“O que vimos é que o medicamento auxilia no tempo de hospitalização e do uso de oxigênio suplementar. Significa que  ajuda a desonerar os hospitais por ter um tempo médio de internações diminuído. Não estamos falando de cura, mas é um importante auxilio durante a pandemia”, explica.

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O Brasil vive um colapso na rede de saúde em diversos estados, onde os leitos de unidade de terapia intensiva (UTIs) estão totalmente ocupados e doentes morrem na fila de espera.

Para se ter dimensão da crise, segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 25 capitais têm mais de 80% da capacidade total de leitos de UTIs ocupada.

No Distrito Federal, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos públicos para a Covid-19 está em 97%. Ao todo, 151 pessoas aguardam vaga. Os hospitais regionais de Ceilândia (HRC) e da Asa Norte (Hran) funcionam com bandeira vermelha, ou seja, atendem somente pacientes graves.

Administração do remédio

Com o registro da Anvisa, liberado nesta sexta-feira (12/3), o Rendesenvir será administrado via injetável e exclusivamente em hospitais. A medida é para que o paciente seja monitorado.

Desde o ano passado, o uso do medicamento  contra a Covid-19 é estudado ao redor do mundo. Uma corrente de cientistas indica eficácia. Outra, minimiza os efeitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a aplicação está liberada desde novembro de 2020.

A gerente de Farmacovigilância da Anvisa, Helaine Capucho, detalha o que levou a agência brasileira a liberar o uso da medicação.

“O dado que consideramos foi a redução no tempo de hospitalização. Consideramos que é uma terapia capaz de ajudar no combate da Covid-19, para pacientes com pneumonia, a partir de 12 anos, com pelo menos 40kg, e em suporte de oxigênio”, pondera.

Nesta sexta-feira, a Anvisa também autorizou o registro de fabricação e de uso da segunda vacina contra a doença no Brasil, o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. No Brasil, o insumo é produzido pela Fiocruz.

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