"Rendesivir não cura, mas desafoga hospitais", diz Anvisa com registro
Gustavo Mendes, gerente Medicamentos e Produtos Biológicos da agência, explica que Rendesivir será importante para amenizar crise por UTIs

Registrado como o primeiro antiviral contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o Rendesivir, na prática, não é tratado como um medicamento capaz de curar a enfermidade, mas sim, importante para a redução do tempo de internação.
Segundo Gustavo Mendes, gerente-geral Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o remédio terá impacto na superlotação dos leitos, já que estudos indicam redução no período de hospitalização.
“O que vimos é que o medicamento auxilia no tempo de hospitalização e do uso de oxigênio suplementar. Significa que ajuda a desonerar os hospitais por ter um tempo médio de internações diminuído. Não estamos falando de cura, mas é um importante auxilio durante a pandemia”, explica.
O Brasil vive um colapso na rede de saúde em diversos estados, onde os leitos de unidade de terapia intensiva (UTIs) estão totalmente ocupados e doentes morrem na fila de espera.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPara se ter dimensão da crise, segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 25 capitais têm mais de 80% da capacidade total de leitos de UTIs ocupada.
No Distrito Federal, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos públicos para a Covid-19 está em 97%. Ao todo, 151 pessoas aguardam vaga. Os hospitais regionais de Ceilândia (HRC) e da Asa Norte (Hran) funcionam com bandeira vermelha, ou seja, atendem somente pacientes graves.

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Com o registro da Anvisa, liberado nesta sexta-feira (12/3), o Rendesenvir será administrado via injetável e exclusivamente em hospitais. A medida é para que o paciente seja monitorado.
Desde o ano passado, o uso do medicamento contra a Covid-19 é estudado ao redor do mundo. Uma corrente de cientistas indica eficácia. Outra, minimiza os efeitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a aplicação está liberada desde novembro de 2020.
A gerente de Farmacovigilância da Anvisa, Helaine Capucho, detalha o que levou a agência brasileira a liberar o uso da medicação.
“O dado que consideramos foi a redução no tempo de hospitalização. Consideramos que é uma terapia capaz de ajudar no combate da Covid-19, para pacientes com pneumonia, a partir de 12 anos, com pelo menos 40kg, e em suporte de oxigênio”, pondera.
Nesta sexta-feira, a Anvisa também autorizou o registro de fabricação e de uso da segunda vacina contra a doença no Brasil, o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. No Brasil, o insumo é produzido pela Fiocruz.











