metropoles.com

Relatório revela alta no assassinato de indígenas no Brasil

Maior incidência de assassinatos foi em Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul. A maioria das vítimas tinham entre 20 e 29 anos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images
Imagem colorida de indígenas Kayapo dançando em terra indígena - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de indígenas Kayapo dançando em terra indígena - Metrópoles - Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images

O relatório “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil” de 2024, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado nesta segunda-feira (28/7), revela uma alta nos assassinatos de indígenas brasileiros no ano passado, com 211 vítimas entre janeiro e dezembro.

No ano anterior, foram 208 assassinatos, uma crescente em comparação com 2022, que registrou 180 mortes. Os dados foram obtidos junto à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a secretarias estaduais de saúde e ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), por meio de pedidos realizados via Lei de Acesso à Informação (LAI) e de consultas a bases de dados públicas disponibilizadas pelos órgãos.

Em 2024, os estados com maior número de assassinatos foram Roraima (57), Amazonas (45) e Mato Grosso do Sul (33). Ainda de acordo com o documento, a maioria das vítimas tinham idades entre 20 e 29 anos.

O Cimi destaca que os dados são parciais, uma vez que os órgãos atualizam as suas bases de dados ao longo do ano, o que pode ocasionar alterações nos números.

Para o Conselho Indigenista a demora nas demarcações das terras indígenas contribui para o avanço da violência, ao intensificar a pressão de grileiros, fazendeiros, caçadores, madeireiros e garimpeiros.

Ao todo, em 2024, foram registradas 424 casos de violência contra pessoas indígenas, desde assassinatos a discriminação etnico-cultural. Confira o detalhamento dos números:

  • Abuso de poder: 19 casos;
  • Ameaça de morte: 20 casos;
  • Ameaças várias: 35 casos;
  • Assassinatos: 211 casos;
  • Homicídio culposo: 20 casos;
  • Lesões corporais: 29 casos;
  • Racismo e discriminação étnico-cultural: 39 casos;
  • Tentativa de assassinato: 31 casos;
  • Violência sexual: 20 casos.
“O ano foi marcado por uma série de conflitos territoriais e assassinatos envolvendo brigas ou desavenças, muitas vezes potencializadas por bebida alcoólica. Do total, 35 das vítimas foram homens, 18 mulheres e duas crianças”, ressalta o documento do Cimi.

Violência sexual

O relatório chama atenção para o número de casos de violência sexual em 2024. No ano passado foram 20 registros, contra 23 casos em 2023. A maior parte das vítimas eram crianças, adolescentes e mulheres indígenas.

Em 2024, 14 dos 20 casos foram cometidos contra crianças e adolescentes, com idades entre 4 e 16 anos.

O Amazonas, estado com a maior concentração de população indígena, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), concentrou o maior número de ocorrências.

Um dos casos mais graves citados no relatório envolve uma adolescente de 13 anos, forçada pela própria mãe a se prostituir. De acordo com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), a menina havia sido abusada sexualmente pelo pai aos 9 anos. As investigações apontam que a mãe a levava a hotéis e cobrava entre R$ 15 e R$ 20 para que a filha fosse explorada sexualmente.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?