Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Reinaldo Azambuja, governador de MS, é alvo de operação da PF

Segundo as investigações, empresa frigorífica teria deixado de recolher aos cofres públicos mais de R$ 200 milhões em troca de propina

12/09/2018 07:51, atualizado 12/09/2018 07:52
Gabriela Korossy/Fotos Públicas
Reinaldo Azambuja, governador de MS, é alvo de operação da PF

Mais um nome influente do PSDB é alvo de operação da Polícia Federal. Nesta quarta-feira (12/9), equipes cumprem mandados de busca e apreensão na casa do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e na sede do governo. O tucano é candidato à reeleição. Na terça (11), o alvo foi o ex-governador do Paraná, Beto Richa, também do PSDB, que acabou preso suspeito de receber propina para direcionar licitações de empresas, por lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

Já a operação contra Reinaldo Azambuja envolve investigações sobre um esquema de pagamento de propina a representantes da cúpula do Poder Executivo estadual, tendo por base os termos de colaboração premiada de executivos da J&F. Os colaboradores detalharam os procedimentos adotados junto ao governo de Mato Grosso do Sul para a obtenção de benefícios fiscais.

Em razão dos acordos de benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual, somente nos dois primeiros anos da gestão atual, a empresa frigorífica teria deixado de recolher aos cofres públicos um montante de mais de R$ 200 milhões.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O inquérito foi autorizado e tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou as medidas em cumprimento. Aproximadamente 220 policiais federais cumprem 41 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão temporária, na capital do estado e nos municípios de Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes de Laguna; e Trairão. São alvos das medidas os endereços residenciais e comerciais dos investigados e os seus locais de trabalho.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Notas fiscais falsas
Segundo apurado, do total de créditos tributários auferidos pela empresa dos colaboradores, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada. Nos autos do inquérito, foram juntadas cópias das notas fiscais falsas utilizadas para dissimulação desses pagamentos e os respectivos comprovantes de transferências bancárias.

Apurou-se também que parte da propina acertada teria sido viabilizada antecipadamente na forma de doação eleitoral oficial, ainda durante a campanha para as eleições em 2014; e que alguns pagamentos também teriam ocorridos mediante entregas de valores em espécie, realizadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, no ano de 2015.

Entre os alvos da operação, estão pecuaristas locais responsáveis pela emissão das notas fiscais “frias”, inclusive, um deputado estadual e um conselheiro do Tribunal de Contas Estadual. Também emitiram notas fiscais frias para dissimulação do esquema de pagamento de propina outras empresas do ramo agropecuário e frigorifico.

No bojo da ação desta quarta, foram cumpridos, ainda, três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Estadual do Mato Grosso do Sul, no interesse da Promotoria do Patrimônio, cujo objeto vincula-se aos fatos investigados pela Polícia Federal.

O nome da operação, Vostok, remete a uma estação de pesquisa russa localizada na Antártida onde já foi registrada uma das menores temperaturas da Terra. O nome faz referência às notas fiscais frias utilizadas para a dissimulação dos pagamentos.