Reforma tributária: em Brasília, governadores e prefeitos cobram mudanças
Apesar de ampla discussão entre Ministério da Fazenda, Câmara dos Deputados e governadores, relatório da tributária não agrada a todos

O texto consta na pauta de deliberações da Câmara dos Deputados desde o início da semana. Arthur Lira (PP-AL), presidente da Casa, espera que a matéria seja votada pelos deputados até sexta-feira (7/7).
A expectativa do parlamentar é finalizar a apreciação da reforma antes do recesso legislativo, que tem início previsto para 18 de julho.
No entanto, apesar da ampla discussão entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Arthur Lira, governadores e prefeitos, o parecer da reforma, redigido pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ainda não agrada a todos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA partir das 19h30 desta terça, os governadores Cláudio Castro (RJ), Eduardo Leite (RS), Eduardo Riedel (MS), Jorginho Mello (SC), Ratinho Júnior (PR), Renato Casagrande (ES), Romeu Zema (MG) e Tarcísio Freitas (SP) se reúnem para debater a reforma em evento promovido em Brasília.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasA iniciativa é parceria entre o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), o Consórcio de Integração do Sul e do Sudeste (Consud) e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Deputados e senadores também participarão da agenda.
Além disso, às 17h desta terça, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) realiza mobilização por uma reforma “mais transparente e justa” para as cidades. O ato ocorre no Salão Verde da Câmara dos Deputados, com participação dos prefeitos Edvaldo Nogueira (Aracaju-SE), Eduardo Paes (Rio de Janeiro-RJ), Ricardo Nunes (São Paulo-SP) e Fuad Noman (Belo Horizonte-MG).
Segundo os prefeitos, o relatório de Aguinaldo Ribeiro é visto como um modelo que, ao propor a incorporação de impostos e uma única alíquota, “retira a autonomia e arrecadação das cidades”.
Sem paixão pelo texto
Arthur Lira ainda alimenta esperanças de quem cobra mudanças na matéria. Na noite dessa segunda-feira (3/7), o presidente da Câmara afirmou, em conversa com jornalistas, que não existe “nenhum tipo de paixão pelo texto”. Lira ressaltou que há abertura para debater possíveis alterações com governadores e prefeitos.
“Governadores do Rio de Janeiro, São Paulo e Pará estão com o pleito de que os impostos que sejam tratados internamente e cada estado faça essa arrecadação e a consequente repartição. Penso que o líder Aguinaldo [Ribeiro] está se debruçando sobre qualquer solução que vá no mesmo espírito de desburocratizar. Não há problemas em fazer mudanças que propiciem mais votos. Todo o esforço é para isso. Neste momento, ouvir os governadores é importante”, ressaltou Lira.
Fundo de compensação
Um dos pontos de maior desavença sobre a reforma tributária diz respeito ao Fundo de Desenvolvimento Regional, criado para tentar compensar o fim da guerra fiscal. A pasta de Fernando Haddad prevê valor de R$ 50 bilhões em recursos federais a serem distribuídos aos estados. No entanto, os governadores pretendem colocar em seus cofres pelo menos o dobro.
A ideia é que o chamado Fundo de Compensação seja utilizado apenas durante o período de transição para o novo sistema tributário, que deve durar 20 anos. O aporte federal giraria em torno de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, mas o valor ainda não foi fechado.
A reforma prevê a implementação do novo imposto sobre valor agregado (IVA), que vai substituir o ICMS (estadual) e ISS (municipal) e também os impostos federais que incidem sobre o consumo (Pis/Cofins e IPI).
A mudança deve ocasionar perda de benefícios fiscais concedidos pelos estados atualmente, que são dados a empresas, geralmente por meio de cortes do ICMS.









