Quem são os bancos e empresários que aportaram R$ 142,5 milhões em debêntures no Estadão
Itaú, Bradesco, Santander e mais nove empresários injetaram milhões e ganharam poder na cúpula do Estadão
atualizado
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Documentos aos quais o Metrópoles teve acesso mostram que Itaú, Bradesco, Santander aportaram com outras nove empresas R$ 142,5 milhões no Estadão.
A emissão dos títulos foi anunciada pelo jornal em 2024, mas o periódico nunca informou aos assinantes quem são seus financiadores.
Os valores foram repassados como empréstimos a longuíssimo prazo, parte deles podendo ser quitada até 2044.
Com dívida acumulada de R$ 159 milhões, o jornal registra prejuízo ano a ano. O último balanço mostrou que o Estadão fechou 2025 com déficit de R$ 16,8 milhões.
Por que bancos, que não rasgam dinheiro, decidiram colocar R$ 140 milhões em um jornal que não registra lucro há cinco anos?
Como mostrou o Metrópoles, desde que a operação foi feita, os financiadores passaram a ocupar espaço no processo decisório do jornal, do conteúdo até decisões administrativas.
Foi exigência dos investidores, por exemplo, a saída da família Mesquita da vaga de CEO, responsável pela linha editorial do jornal, e participação no conselho de administração.
O aporte é diferente de um patrocínio, quando uma empresa faz anúncio em um veículo de comunicação para divulgar sua marca. Não é o caso dessa operação. Os bancos colocaram dinheiro no Estadão numa tentativa de salvar o jornal da crise financeira.
Leia mais sobre o assunto aqui.
O Metrópoles apurou que os investidores se convenceram de que o maior estado do país precisaria ter mais um jornal do que apenas a Folha de S.Paulo, com poder de influenciar o debate político e econômico.
A operação foi capitaneada pelo empresário Rubens Ometto, dono da Cosan, que colocou R$ 15 milhões no jornal. Um ano depois de financiar o Estadão, a Cosan entrou em recuperação judicial e parte da empresa foi comprada por André Esteves, dono do BTG.
O Metrópoles teve acesso a detalhes da operação.
Ao todo, 12 empresas aportaram R$ 142,5 milhões no Estadão por meio da compra de debêntures.


A primeira rodada, de R$ 45 milhões, tem a Trustee DTVM — investigada nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto — como agente fiduciária.
Três grandes bancos compraram as debêntures geridas pela Trustee: Itaú, Bradesco e Santander. Cada um deles investiu R$ 15 milhões. O Estadão só precisa começar a pagar esses empréstimos em 2034, prazo que pode ser prorrogado até 2044.
Além de investir no Estadão, a família Moreira Salles tem a revista Piauí.
A segunda rodada de debêntures captou R$ 97,5 milhões por meio do Província Fundo de Investimento e da Cutrale.
Nessa operação, as empresas abaixo investiram os seguintes valores:
Cosan: R$ 15 milhões
Hapvida: 15 milhões
Votorantim: R$ 15 milhões
Ultra: R$ 7,5 milhões
Unipar: R$ 7,5 milhões
Pátria Investimentos: R$ 7,5 milhões
JHSF: R$ 7,5 milhões
Galápagos Capital: R$ 7,5 milhões
Santalice Administração Ltda. (Cutrale): R$ 15 milhões
Além disso, Suzano e Safra investiram no jornal, mas por meio de publicidade.
Após o aporte, um representante dos investidores ingressou no conselho de administração do Estadão. Marcos Bologna é sócio e CEO da Galápagos — gestora do fundo debenturista que investiu R$ 7,5 milhões no jornal — ao lado de Carlos Fonseca, ex-sócio de André Esteves no BTG.
Procurado, o Estadão afirmou que não responderia aos questionamentos sobre os investidores.
