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Brasil

PT vai criar comitês evangélicos em busca de eleitores para Lula

A organização dos comitês, que devem ocupar todos os estados do país, é feita pela deputada federal Benedita da Silva

Daniel Haidar17/03/2022 02:30, atualizado 17/03/2022 15:18
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Lula Marques/Agência PT
Benedita da Silva

São Paulo – A busca pelo voto evangélico nas eleições deste ano motiva visitas de candidatos a cultos e acordos com pastores. Para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (PL), o PT promete também intensificar a campanha corpo a corpo com a criação de comitês especificamente dedicados a popularizar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre pentecostais e neopentecostais.

De acordo com o ex-ministro Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula e diretor da Escola Nacional de Formação do PT (ENFPT), o partido já possui representantes evangélicos para conduzir esses comitês religiosos em 21 estados.

“A pretensão é criar comitês em todos os estados. Entendemos que essa campanha vai ser dura nas ruas, dura no meio do povo, porque o bolsonarismo é um fenômeno não só político, mas cultural”, afirmou Carvalho em entrevista ao Metrópoles.

A organização desses grupos é feita pela deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), coordenadora do Núcleo de Evangélicos do PT (NEPT). Ela explica que a meta é se aproximar da base da população evangélica, mesmo em igrejas de lideranças bolsonaristas, como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. 

 “Eles (Malafaia e outros bolsonaristas) escolheram um lado. Possuem compromissos políticos com o governo Bolsonaro. Mas todo evangélico tem o direito de também escolher seu lado, não só as lideranças”, disse Benedita ao Metrópoles. 

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O ex-presidente Lula em encontro com mulheres, em São Paulo.
Petista disse que é preciso dialogar, inclusive com políticos que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
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O ex-presidente Lula em encontro com mulheres, em São Paulo.
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O ex-presidente Lula em encontro com mulheres, em São Paulo.

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Petista disse que é preciso dialogar, inclusive com políticos que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
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Petista disse que é preciso dialogar, inclusive com políticos que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

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Estratégia

Para montar esses comitês evangélicos, o PT diz que pretende atrair pessoas de fora da sigla para a Escola Nacional de Formação do PT. Carvalho espera que 5 mil pessoas se inscrevam nessa iniciativa até o fim de março. 

“Teremos um processo de formação de lideranças. Foram abertas inscrições para quem quiser participar. A ideia é que os comitês dialoguem especialmente com pessoas nas periferias e trabalhem com ações de solidariedade para os mais pobres”, afirmou. 

Lula não é o único presidenciável em busca de maior popularidade entre evangélicos. O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também passaram a posar de Bíblia na mão e a frequentar igrejas.

Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta manter aliados por perto depois de perdoar uma dívida bilionária de igrejas e de nomear o jurista evangélico André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 8 de março, o mandatário recebeu 24 pastores evangélicos no Palácio da Alvorada, para tentar demonstrar força no segmento. 

Embora a conquista majoritária do voto evangélico por Bolsonaro em 2018 tenha sido considerada um fator decisivo para sua vitória na eleição, Benedita argumenta que Lula já começa a campanha com mais votos entre evangélicos do que o ex-ministro Fernando Haddad (PT) naquela disputa. “Temos avaliação de que, com Lula, o voto evangélico aumenta”, argumentou a deputada. 

Essa tentativa do PT, de ganhar mais força nas periferias e nos redutos evangélicos, reflete a percepção da cúpula da sigla de que Bolsonaro exige estratégias diversas de enfrentamento em relação às disputas anteriores com o PSDB.

“Bolsonaro conseguiu ser expressão do neofascismo. Bolsonaro não tem só eleitores. Tem torcedores, fiéis. Uma coisa é enfrentar Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin em eleição e outra coisa é enfrentar um cara que organiza de fato uma nova direita militante no Brasil. É o que você vê com os amarelinhos na rua. Isso veio para ficar, com consequências trágicas para a sociedade brasileira”, avalia Gilberto Carvalho. 

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