PT prepara campanha nacional pelo fim da escala 6×1
Direção nacional orientou distribuição de material em todo o país. Campanha defende redução da jornada sem corte salarial
atualizado
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O PT vai intensificar a partir da próxima semana as mobilizações pelo fim da chamada escala 6×1. A sigla orientou dirigentes estaduais a distribuírem materiais de uma campanha intitulada “Fim da escala 6×1: mais vida, mais direitos”.
Em ofício enviado à militância, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que o conteúdo deve ser “amplamente utilizado em ações de base, com panfletagens em vilas, praças, locais de comércio, terminais de transporte e demais espaços de grande circulação”.
Segundo ele, a campanha é uma “iniciativa estratégica para fortalecer a disputa de ideias junto à classe trabalhadora e ampliar nossa presença nos territórios”.
“A defesa de melhores condições de trabalho, com redução da jornada sem redução de salários, é uma pauta concreta, popular e com enorme capacidade de diálogo com o povo brasileiro”, escreveu.
Dirigentes do PT afirmam que, além dos diretórios locais, a movimentação deve envolver partidos aliados, centrais sindicais e movimentos sociais. A sigla articula uma mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 em 1º de maio, Dia do Trabalhador.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário de movimentação política sobre o tema. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa pode votar já na próxima semana uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho.
Em paralelo, contrariando Motta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende encaminhar ao Congresso um projeto em regime de urgência constitucional — com prazo de até 45 dias para análise em cada Casa — para acabar com a escala 6×1.
O fim da escala 6×1 foi elencado como uma das prioridades do presidente da Câmara para 2026. O presidente Lula também escolheu a mudança da escala como um dos motes de sua campanha à reeleição.
Jornada 5×2
Integrantes do governo defendem a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição de salário. O modelo apoiado pelo Palácio do Planalto prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2).
No material enviado aos dirigentes locais, o PT afirma que a “proposta […] é simples: reduzir a jornada de trabalho sem redução de salário. Garantir mais qualidade de vida, sem tirar nenhum direito de quem trabalha”.
A sigla também classifica como “mentira” a tese de que o “fim da escala 6×1 irá gerar desemprego”.
“Hoje, a tecnologia aumentou a produtividade. É justo que esse ganho seja compartilhado com quem produz a riqueza do país”, diz o material, que já tem sido distribuído em algumas cidades.
“Não é justo que o direito ao descanso e ao lazer seja um privilégio de poucos, enquanto muitos estão sujeitos a jornadas exaustivas de apenas 1 dia de descanso na semana. O tempo é um direito de todos. Menos exaustão, mais tempo para viver, estudar, cuidar da família e da saúde. Trabalhar menos para viver melhor. Esse é o caminho”, acrescenta.




