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Eleições 2026Brasil

PT pede ao STF investigação sobre interferência estrangeira nas eleições

Manifestação na ADPF 1.178 pede abertura de inquérito pela PF e ampliação de liminar sobre atuação estrangeira no processo eleitoral

23/09/2026 19:45, atualizado 23/09/2026 20:09
Alice Rabello
Montagem colorida com fotos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump com bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos ao fundo - Metrópoles

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (23/9), que sejam investigados possíveis episódios de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A solicitação foi encaminhada ao ministro Flávio Dino, relator da ADPF 1.178, e inclui a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF).

Na manifestação, o partido também solicita que Dino complemente uma liminar já concedida no processo para deixar claro que a decisão abrange eventuais ações de origem estrangeira capazes de atingir o processo eleitoral brasileiro.

Para o coordenador jurídico da campanha, Angelo Ferraro, a apuração deve permitir o rastreamento da origem de recursos e a preservação de provas.

“Quando aparecem indícios de recursos, serviços ou publicidade que podem ter origem no exterior e beneficiar uma candidatura, é preciso esclarecer a cadeia de financiamento, preservar as provas e identificar os responsáveis. A soberania do processo eleitoral exige que o eleitor brasileiro saiba quem está financiando as ações que buscam influenciar a sua decisão”, afirmou.

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O que o PT pede ao STF

  • Além da abertura de investigação pela PF, o partido pede a preservação dos elementos que possam servir de prova, a identificação de eventuais financiadores e beneficiários e o compartilhamento de indícios de ilícitos com as autoridades competentes.
  • A legenda também solicita que eventuais operações consideradas irregulares sejam interrompidas, observados os procedimentos legais.
  • O PT sustenta que a proximidade do primeiro turno aumenta a necessidade de apuração e de preservação de provas.
  • A manifestação faz parte do pedido do PT para ingressar como amicus curiae na ADPF 1.178.

Casos citados pelo PT

Na manifestação, o partido reúne episódios que, segundo a legenda, justificam a apuração de uma possível atuação estrangeira em iniciativas relacionadas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Entre os casos mencionados, estão suspeitas envolvendo a Rockbridge Network, a disponibilização de conteúdos do Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento à Academia da Direita, plataforma ligada ao PL, e anúncios pagos no exterior em perfis do X favoráveis ao candidato.

A petição também cita reportagem do Metrópoles sobre contas registradas fora do Brasil que publicaram e impulsionaram conteúdos favoráveis a Flávio no X. As publicações apresentavam resultados da plataforma de apostas Polymarket como indicativo de desempenho do candidato na corrida presidencial.

O X identificou os conteúdos como “parceria paga”, mas, nas publicações mencionadas na reportagem, não era possível identificar quem havia financiado os anúncios.

A legislação eleitoral proíbe partidos e candidatos de receberem, direta ou indiretamente, doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro de origem estrangeira, inclusive por meio de publicidade. A Lei das Eleições também estabelece regras para o impulsionamento pago de conteúdo eleitoral na internet.

A existência de publicações patrocinadas, por si só, não demonstra que houve financiamento estrangeiro de uma candidatura. É justamente a origem dos recursos que o PT pede que seja investigada.

A petição solicita ainda a preservação de registros digitais e financeiros e a coleta de contratos e comprovantes de pagamento. O partido quer que os envolvidos sejam ouvidos e que os documentos sejam submetidos a análises contábeis e digitais.

Empresa que treina militares dos EUA

A manifestação também cita uma reportagem do Metrópoles sobre a contratação de um instrutor de “português brasileiro” por uma empresa que presta serviços linguísticos a militares e órgãos de inteligência dos Estados Unidos.

A vaga, publicada pela Ascensus Global, previa treinamento em português, interpretação e tradução para participantes de um programa com duração de três semanas, entre outubro e novembro de 2026.

Posteriormente, o Metrópoles questionou o Air Force Culture and Language Center (AFCLC), Centro de Cultura e Idiomas da Força Aérea dos EUA, sobre a oportunidade.

Em resposta nesta quarta-feira (23/9), o AFCLC confirmou que prepara militares norte-americanos em português brasileiro para funções que podem envolver atuação conjunta com integrantes das Forças Armadas brasileiras em exercícios e conferências de cooperação.

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Lula falou em ingerência na ONU

O pedido do PT ao STF ocorre um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordar o tema da soberania e da interferência estrangeira durante discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil voltava a presenciar “ingerência externa em processos eleitorais” e disse que o país não permitiria que agentes externos atentassem contra a vontade popular.

“Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, declarou.

O presidente também afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” ao defender a soberania nacional.

As declarações foram feitas a 12 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

O pedido também se insere em um cenário de preocupação do governo brasileiro com possíveis ações externas durante o processo eleitoral.

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, apontou como crítico o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições.