Promotores de eventos defendem “passaporte da vacina” para acelerar retomada

A Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) considera a medida como "paliativa", enquanto a pandemia não acaba

atualizado 19/09/2021 16:40

Pexels/Divulgação

Com o isolamento social por causa da Covid-19 e mais de 450 mil empregos afetados, o setor de eventos começa a enxergar luz no fim do túnel com o “passaporte da vacina”. A medida permite a quem já completou o esquema de imunização frequentar shows e palestras mediante apresentação do Certificado Nacional de Vacinação.

A Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) defende a retomada imediata dos eventos, com a justificativa de que “há uma grande parcela da sociedade imunizada, o que permite que as atividades aconteçam”.

Em conversa com o Metrópoles, o presidente da Abrape, Doreni Caramori Júnior, defendeu que a ação de algumas prefeituras, como as de São Paulo, de exigir a apresentação de um “passaporte da vacina” é uma “solução provisória para acelerar a retomada do setor de eventos”.

“O passaporte da vacina é uma ferramenta operacional que facilita o controle dos vacinados”, pontua Doreni. Ele considera que o certificado de vacinação é, neste momento, um importante aliado dos eventos e “útil, na medida em que serve para acelerar a retomada do setor”.

A associação, todavia, considera a medida como “paliativa”, tendo em vista que ainda não há o controle total da pandemia. O presidente da Abrape ressalta que a estratégia “não pode ser permanente, pois inviabilizaria o segmento, que já foi muito impactado pela paralisação total das atividades desde março de 2020”.

Doreni também pontua que o passaporte da vacina não é e não pode ser “a única alternativa”. Ele usa o exemplo de entradas em avião e shoppings: “Nesses casos, não são cobrados os passaportes da vacina”, frisa o presidente da Abrape.

A retomada

Mesmo antes da criação dos “passaportes da vacina”, os shows vinham sendo retomados aos poucos no Brasil. O Espaço das Américas, em São Paulo, por exemplo, voltou com as atividades no dia 24 de julho, com show de Fábio Júnior. Desde então, foram ao menos 10 apresentações realizadas no local.

No dia 4 de setembro, no show de Zezé Di Camargo e Luciano, o espaço começou a cobrar o passaporte da vacina. Marco Antônio Tobal Junior, 43 anos, sócio-diretor do Grupo São Paulo Eventos, que compreende as casas Espaço das Américas, Expo Barra Funda e Villa Country, afirmou que a questão do passaporte é vista de uma maneira “muito positiva”.

“É importante pra todos sabermos que estamos compartilhando um ambiente apenas com pessoas imunizadas”, considerou Marco.

O diretor do Grupo São Paulo Eventos ainda pontuou que “os artistas estão felizes com a medida e ansiosos pela flexibilização e normalização desse quadro”.

“Corrida contra o tempo”

Para Marco, a ideia é que até em novembro tudo já retome ao normal. A Abrape, por sua vez, reforça: “O que o segmento quer é um planejamento que determine metas e prazos para o retorno integral das atividades”.

“A entidade espera dos poderes públicos um plano mais claro de retomada integral das atividades, para que o segmento possa se planejar. O fim do ano, o Verão e o Carnaval são datas importantes para as empresas do segmento que precisam de uma organização antecipada”, ressalta a associação.

“As campanhas de vacinação avançam, e exemplos bem-sucedidos empreendidos em outros países demonstram que é possível retomar as atividades do setores de cultura e entretenimento, seguindo protocolos de segurança sanitária”, destaca Doreni.

Os brasileiros

Pesquisa realizada pela Abrape, em parceria com a Ambev e a consultoria Provokers, para avaliar a percepção dos públicos sobre a retomada do setor de eventos de cultura e entretenimento no país, aponta que 59% dos brasileiros querem voltar a frequentar shows e festivais imediatamente.

No levantamento, foram entrevistados, entre 9 e 13 de agosto, homens e mulheres entre 18 e 55 anos que costumavam frequentar eventos pagos antes da pandemia, em todas as regiões. “O avanço da vacinação no país é o principal fator a influenciar o cenário positivo”, diz a associação.

No geral, o estudo apontou que 69% do público tem a intenção de voltar a frequentar imediatamente todos os tipos de atividades de cultura e entretenimento em todo o país, além dos shows e festivais.

A sondagem destaca que 82% dos entrevistados sentem falta dos eventos. Perguntados sobre os tipos de atividades que voltariam a frequentar prioritariamente, elegeram, além dos shows e festivais, feiras e exposições (80%), cinema e teatro (76%), palestras e congressos (69%), eventos esportivos (69%) e casas noturnas (52%).

Governo federal

Neste mês, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que avaliará a edição de uma medida provisória (MP) para impedir a exigência de um passaporte de vacinação contra a Covid-19.

“Aquela lei nossa era para valer até o fim de 2020, prorrogou, mas lá não está escrito passaporte [de vacina]. Mas quem prorrogou a lei foi o Supremo. Era até 2020, que nem vacina tinha. Era pra valer até 31 de dezembro, foi prorrogada”, disse o mandatário, em provável referência à lei que decretou emergência de saúde pública em razão da pandemia de Covid-19.

Em seguida, sem fornecer mais detalhes, o chefe do Executivo federal disse que vai avaliar a revogação do dispositivo referente ao tema. “Vou ver se eu consigo, por MP, revogar esse dispositivo da vacina”, assinalou.

Como tirar o seu passaporte?

O Certificado Nacional de Vacinação pode ser emitido pelo site ou pelo aplicativo ConecteSUS.

Para emitir o documento, é necessário baixar no celular o aplicativo do Ministério da Saúde, disponível em Android e no iOS, e criar o cadastro no sistema. Você vai precisar ter, em mãos, o número do CPF, para acessar o serviço por meio de uma senha cadastrada.

Mais lidas
Últimas notícias