Promotora recua em denúncia a mulher pisoteada no pescoço por policial

Depois de fazer a denúncia na terça-feira (19/10), promotora volta atrás e pede para reavaliar o caso; Flavia Sbogi alega "fatos novos"

atualizado 22/10/2021 18:45

Reprodução

São Paulo – Após oferecer denúncia na terça-feira (19/10) contra uma mulher negra vítima de violência policial, a promotora Flavia Lias Sbogi, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), anunciou nesta sexta-feira (22/10) que pediu à Justiça que não receba o documento.

A comerciante, que foi pisoteada no pescoço por um policial em 2020, havia sido denunciada por quatro crimes contra os agentes da ação: infração de medida sanitária preventiva, desacato, resistência e lesão corporal.

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No novo pedido, Sbogi disse que tomou conhecimento, após reportagens sobre o assunto nessa semana, de uma denúncia feita à Justiça Militar contra os policiais que participaram da operação, algo que ela diz considerar como “fatos novos”.

A promotora solicitou mais tempo para analisar o caso antes que o processo contra a vítima seja aberto. “Considerando que a denúncia ainda não foi recebida e a existência de fatos novos, requeiro nova vista dos autos para melhor análise”, escreveu Sbogi.

O caso ocorreu em maio de 2020, no bairro Parelheiros, na zona sul de São Paulo, e ficou conhecido após a divulgação de vídeos pelo programa Fantástico, da TV Globo. Nas imagens, é possível ver que um dos agentes pressiona o pescoço da comerciante com um dos pés durante a abordagem. A moça acabou com uma fratura na perna e precisou ser levada ao Hospital Municipal do Grajaú, também na zona sul.

Vítima de agressões por parte de policiais militares, a mulher foi denunciada na terça-feira (19/10) por quatro crimes contra os agentes. O documento foi assinado pela promotora Flavia Lias Sgobi, que ofereceu a denúncia à 2ª Vara Criminal do Foro Regional de Santo Amaro.

“Ela simplesmente ignorou tudo que foi noticiado durante todo esse tempo e, infelizmente, copiou e colou o que constava no boletim de ocorrência. A versão dos policiais já foi até desmentida. Eles estão sendo processados na Justiça Militar, e um dos crimes é justamente o de falsidade ideológica. Então me parece que ela se ateve àquilo que estava no boletim e ignorou todo o resto da situação”, disse Felipe Morandini, advogado da vítima, ao Metrópoles.

Os dois policiais da ação são réus na Justiça Militar por lesão corporal, abuso de autoridade, inobservância de regulamento e falsidade ideológica, por terem mentido em depoimento prestado no 101º DP (Jardim das Imbuias).

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