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Prisões e novos casos: o que se sabe sobre estupro coletivo no Rio

Dois suspeitos já foram presos e outras denúncias de estupro contra o grupo são investigadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro

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Um caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrido em 31 de janeiro dentro de um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, ganhou novos desdobramentos com prisões, suspeitos foragidos e o surgimento de outras denúncias semelhantes contra suspeitos do grupo investigado.

A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), por meio da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana). Segundo o delegado responsável pelo caso, Ângelo Lages, a jovem teria sido vítima de uma “emboscada planejada” pelo ex-namorado, um adolescente de 17 anos.

A atração ao apartamento

De acordo com o inquérito, momentos antes do crime a vítima recebeu mensagens do ex-companheiro a convidando para ir ao apartamento dele, localizado na Rua Ministro Viveiros de Castro. Nas conversas, ele enviou mensagens com tom de urgência, fez ligações insistentes e pediu que ela levasse uma amiga. Diante da negativa, afirmou que ela poderia ir sozinha.

A adolescente aceitou o convite em razão da relação anterior que mantiveram entre 2023 e 2024. Ao chegar ao prédio, foi recebida pelo suspeito na portaria e os dois subiram juntos.

Segundo a investigação, já no local o menor informou que havia outros amigos no imóvel e insinuou que fariam “algo diferente”, proposta recusada pela jovem.

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Violência

Conforme o relato da vítima à polícia, ela iniciou uma relação sexual consensual com o adolescente. No entanto, o quarto onde estavam foi invadido por outros jovens, que passaram a insistir para participar.

Mesmo após sucessivas negativas, ela teria sido pressionada, trancada no quarto e impedida de sair. A situação evoluiu para agressões físicas e atos sexuais forçados praticados pelos demais presentes.

A adolescente relatou ter sido puxada pelos cabelos, agredida com um chute na região abdominal e submetida a violência física e psicológica. Após cerca de uma hora, deixou o imóvel transtornada.

Exame de corpo de delito constatou múltiplas lesões, incluindo equimoses, escoriações e sangramento. Materiais biológicos foram coletados para análise genética.

Câmeras registraram movimentação

As câmeras registraram a movimentação no corredor do sexto andar entre 19h24 e 20h42. As imagens mostram a chegada dos quatro jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada do menor.

Após cerca de uma hora no interior do imóvel, a jovem deixa o local com o adolescente. Depois que ela sai do campo de visão, ele retorna ao apartamento e, em seguida, reaparece fazendo gestos interpretados pela polícia como de comemoração.

Ele também teria sido filmado sorrindo.

Suspeitos e prisões

Cinco jovens são apontados como envolvidos no crime. Entre eles:

  • João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos;
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos;
  • Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos;
  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, maior de idade;
  • Um adolescente de 17 anos, ex-namorado da vítima, cuja identidade é preservada conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Na manhã de terça-feira (3/3), Mattheus Veríssimo Zoel Martins se entregou na 12ª DP (Copacabana), enquanto João Gabriel Xavier Bertho se apresentou na 10ª DP (Botafogo). Ambos tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos.

Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti seguem foragidos. O adolescente também não foi localizado e é alvo de mandado de busca e apreensão.

A Justiça decretou a prisão preventiva dos quatro maiores, que respondem por estupro qualificado cometido em concurso de pessoas. O menor responderá por ato infracional análogo ao crime de estupro, conforme o ECA.

Operação e novas denúncias

No sábado (28/2), a PCERJ deflagrou a Operação Não é Não para cumprir os mandados, mas os suspeitos não haviam sido localizados até então.

Além do caso ocorrido em janeiro, a corporação investiga outras duas denúncias de estupro ligadas ao mesmo grupo.

Na segunda-feira (2/3), a mãe de uma adolescente procurou a delegacia para relatar que a filha teria sido violentada em 2023. Segundo relato da mãe, a jovem foi filmada durante as agressões, o que teria sido usado como forma de intimidação para impedir a denúncia à época.

Já nesta terça, uma terceira vítima foi até a 12ª DP fazer uma ocorrência contra Vitor Hugo. O delegado Angelo Lages detalhou que apurações serão feitas no colégio Pedro II para saber o que acontecia dentro da instituição e se há outras vítimas.

Mãe da vítima se pronuncia

A mãe da adolescente de 17 anos vítima de um estupro coletivo em Copacabana afirmou que a filha sentiu vergonha e culpa após o crime. Segundo a mulher, que não teve a identidade divulgada, a jovem chegou a cogitar desistir da vida, com receio do julgamento das pessoas.

Em entrevista à TV Globo, a mãe contou que a filha havia ido ao apartamento acreditando que encontraria apenas um amigo, mas foi obrigada a ter relações sexuais. “Ela disse ‘não’, e eles teriam de respeitar. Ela está conseguindo se conscientizar de que ela não tem culpa, não está sozinha e o ‘não’ dela é muito precioso e importa”, afirma.

Suspeitos sofrem consequências

João Gabriel, que era jogador de futebol, teve o contrato suspenso com o clube Serrano FC, que anunciou nesse domingo (1º/3) o afastamento do jogador. De acordo com o Serrano, por conta da gravidade da situação, o contrato de João Gabriel está suspenso de forma imediata.

Já Vitor Hugo Oliveira Simonin e o menor de idade são alunos do Colégio Pedro II. A escola suspendeu ambos e informou que iniciou o processo de desligamento dos acusados.

Segundo apurado pelo Metrópoles, Victor Hugo é filho de um subsecretário de governo do Rio de Janeiro que atua em frentes de direitos humanos. No entanto, o homem foi exonerado nessa terça-feira. 

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe dos Santos Allegretti. A Unirio prestou solidariedade às mulheres da universidade. “À comunidade acadêmica, em especial às discentes, às servidoras e às funcionárias, reafirmamos nossa empatia e o máximo respeito neste momento”, diz nota.

Mattheus Veríssimo Zoel Martins é registrado como atleta do S.C. Humaitá, segundo dados da Liga Niteroiense de Desportos. Mesmo preso, o clube ainda não se posicionou sobre como fica a situação do jogador após a repercussão do caso.

Informações sobre o paradeiro dos investigados podem ser repassadas ao Disque Denúncia pelos telefones (21) 2253-1177 ou 0300-253-1177, pelo WhatsApp (21) 2253-1177 ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. O anonimato é garantido.

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