Prefeito é investigado por dizer que empresa é gananciosa “igual judeu”

A fala de Marcelino Borba (PV) foi feita em seu discurso de posse. Em seguida, ele se desculpou pelo ocorrido

atualizado 11/01/2021 20:40

Divulgação

O mandato do prefeito de Rio das Ostras (RJ), Marcelino Borba (PV), já começou com uma investigação aberta pela Polícia Civil. O motivo: durante um discurso, o político disse que judeus só pensam em dinheiro e são gananciosos. Após uma grande polêmica envolvendo a fala, ele se desculpou.

Na ocasião, Marcelinho Borba comparou a Enel, empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica na região, ao povo judeu: “Eles ficaram um mês para substituir um poste. E não trabalham de graça, não. São iguais judeus. Trocamos lá na Cidade Praiana uns 12 postes de madeira. Precisava do poste de madeira. ‘Não, agora tem que vender. É R$ 450’. São pior (sic) do que judeu, assim! Os caras não liberam nada. Tudo para eles querem dinheiro. É uma covardia com a gente”.

Em nota enviado ao Uol, o prefeito pediu desculpas: “Fiz uma comparação infeliz citando o povo judeu, na empolgação de um discurso improvisado”.

“Como bem meus colegas de partido sabem, não costumo preparar discursos, sou um homem simples, que prefere falar de improviso no calor da emoção. Por isso, ao criticar a empresa de energia elétrica, que vem causando vários prejuízos ao nosso município, recorri a uma expressão, de moto metafórico, que infelizmente atingiu o povo judeu”, continua.

O político ainda diz que se equivocou ao usar as palavras: “Por isso apresento aqui minhas desculpas públicas aos nossos irmãos judeus, que há séculos são prejudicados e guardam na sua história a tristeza de milhões de vidas perdidas. Infelizmente utilizei as palavras erradas ao me expressar naquele momento”.

De acordo com a  Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), o caso está sendo encaminhado para a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro de Atribuição Originária (Ciaf) da Polícia Civil, já que Marcelino Borba tem foro pelo cargo que exerce. O crime tem pena prevista de dois a cinco anos de reclusão.

Já a Enel informou que “lamenta a declaração mostrada no vídeo e repudia qualquer comentário ofensivo e discriminatório”.  A empresa também disse que “a relação entre a empresa e todos os seus clientes, incluindo o poder público nos municípios em que atua, é pautada pela transparência e pelo respeito”.

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