Venezuela: Brasil mantém ajuda, mas não comenta bloqueio de fronteira

A Presidência da República disse que não vai se manisfestar sobre o assunto. Nessa quarta, União havia definido mandar auxílio humanitário

atualizado 21/02/2019 17:25

Igo Estrela/Metrópoles

Após o anúncio do fechamento da fronteira entre o Brasil e a Venezuela pelo presidente Nicólas Maduro, a Presidência da República comunicou que “não vai se manifestar sobre o assunto”.

A medida passaria a valer a partir das 19h (horário brasileiro), mas, desde as 15h (horário brasileiro), venezuelanos enfrentam dificuldades em ultrapassar a divisa entre os dois países. De acordo com o governador de Roraima, Antônio Denarium (PSL-RR), a ajuda humanitária oferecida no Brasil está mantida aos venezuelanos que já conseguiram atravessar a fronteira. Porém, a dificuldade será em abrigar os necessitados que ainda não concluíram a travessia.

Para o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP), a medida é “desumana e cruel“. “Impedir a chegada de auxílio humanitário vindo do Brasil é desumano e cruel! Nem mesmo o desespero para tentar manter-se no poder justifica tal ação”, disse Sampaio. “Ele [o presidente venezuelano Nicolás Maduro] precisa entender que os interesses da população estão acima de qualquer disputa política. Espero, sinceramente, que Maduro reveja essa determinação e permita que o Brasil possa ajudar no atendimento das necessidades mais urgentes dos venezuelanos”, concluiu.

Para Maduro, o fechamento é “total e absoluto” e vai se estender “até novo aviso”. O posicionamento veio a partir da confirmação pelos Estados Unidos e países da América Latina de que encaminhariam auxílio humanitário ao país vizinho, atendendo pedido do presidente interino Juan Guaidó. Essas nações não reconhecem o segundo mandato presidencial de Maduro e apoiam Guaidó no comando do país. Porém, Nicólas Maduro entendeu o encaminhamento de auxílio como interferência externa na política de seu país.

Opositores ao regime venezuelano pretendiam sair do Brasil rumo a Colômbia para oferecer ajuda médica com os kits humanitários enviados pelos Estados Unidos. Porém, Maduro também anunciou que considera a possibilidade de fechar a divisa de seu país com a Colômbia: militares já reforçaram a fronteira com entre Venezuela e Colômbia, impedindo a entrada da ajuda humanitária.

Ciente da notícia, Guaidó disse que vai tentar furar o bloqueio e permitir a entrada dos recursos. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), tem viagem marcada nesta segunda-feira (25/2) para Bogotá, capital colombiana, onde participa de reunião do Grupo de Lima, que reúne líderes latinos-americanos.

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