Venezuela: Bolsonaro reúne aliados e busca protagonismo contra Maduro

Chanceler brasileiro terá encontro com parceiros na "guerra contra o governo venezuelano de esquerda": Estados Unidos entre os convidados

atualizado 17/01/2019 9:23

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Depois de receber o presidente da Argentina nessa quarta-feira (16/1), o governo de Jair Bolsonaro (PSL) dará nesta quinta (17) mais um passo importante na tentativa de assumir o protagonismo em relação à crise política na Venezuela. Dias depois do início de mais um mandato de Nicolás Maduro, considerado ilegítimo pela Assembleia Nacional de seu país, pelas nações vizinhas e pelos Estados Unidos, o Itamaraty será palco de um encontro de opositores que devem endurecer as relações com o venezuelano.

Ao lado do argentino Maurício Macri, durante boa parte dessa quarta, Jair Bolsonaro tentou acalmar sua relação com o Mercosul e se aproximar do vizinho e parceiro comercial. O presidente brasileiro conseguiu tirar, do encontro, declarações do argentino como “não aceitamos essa zombaria à democracia e essa tentativa de vitimização [de Maduro]”. Agora, é a vez de o ministro das Relações Exteriores entrar em ação.

A pedido do chefe do Executivo do Brasil, o chanceler Ernesto Araújo promoverá reunião no Itamaraty ao longo desta quinta para “discutir a situação da Venezuela” frente ao início do “mandado ilegítimo” de Nicolás Maduro. Esse novo governo do presidente venezuelano não é reconhecido pelo Brasil e por outros 12 países que fazem parte do Grupo de Lima – composto por chanceleres de Estados das Américas.

Para o encontro promovido pela gestão Bolsonaro não só representantes da Venezuela e do Grupo de Lima foram convidados. O chanceler brasileiro também receberá na sede da diplomacia brasileira representantes dos Estados Unidos. A interlocutores, o presidente do Brasil vem dizendo acreditar que ao lado dos norte-americanos é possível resolver a situação da Venezuela.

Uma frase parecida foi dita por Bolsonaro durante a visita do presidente Macri. “A situação da Venezuela é um exemplo de cooperação entre os dois países. Só reforça que seguiremos avançando no rumo certo em defesa da democracia, da liberdade, da segurança e do desenvolvimento”, afirmou.

Entre os convidados para a reunião desta quinta no Itamaraty, estão venezuelanos que, assim como o Brasil e os Estados Unidos, não aceitam o governo de Maduro. Além disso, membros do grupo Rumbo Libertad, formado por cidadãos que vivem fora da Venezuela, e integrantes da oposição do país estarão lá.

Troca de farpas
No último sábado (11), o governo brasileiro, buscando fortalecer seu posicionamento antiesquerdista, já havia reconhecido Juan Guaido, que comanda a Assembleia Nacional da Venezuela, como presidente legítimo do país. Os congressistas, por sua vez, declararam formalmente nessa terça (15) a usurpação do governo nacional por Nicolás Maduro.

A resposta do presidente venezuelano, a quem os opositores chamam de ditador, não tardou em aparecer. “Lá temos o Brasil nas mãos de um fascista – Bolsonaro é um Hitler da era moderna!”, disse Maduro, durante um pronunciamento à nação.

Vamos deixar o tema Bolsonaro para o lindo povo do Brasil, que lutará e se encarregará dele

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

O Palácio do Planalto ou o Itamaraty não respondeu os comentários de forma oficial. No entanto, nos bastidores, as respostas começaram a ser montadas e apareceram desde o início desta semana. Além dos ataques feitos em conjunto com o presidente argentino e a reunião desta quinta, outros encontros diplomáticos devem surgir.

Nos próximos dias, acredita-se que Bolsonaro e o chanceler brasileiro aumentem o contato com países amigos que também condenam mais um mandato de Maduro. O ministro Ernesto Araújo aposta que essa é uma maneira de alavancar o nome do país internacionalmente.

Recentemente, ao se encontrar com representantes dos países pertencentes ao grupo de Lima, o chanceler afirmou que todos “trabalham pela volta da democracia à Venezuela”. Ele também postou sobre o tema nas redes sociais (veja abaixo).

Twitter/Reprodução

 

Da reunião desta quinta (17), espera-se, devem surgir as primeiras medidas concretas de endurecimento contra o novo mandato de Nicolás Maduro.

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