Silveira diz que decisão de Moraes é “inadmissível” e “inaceitável”
Deputado recuou e admitiu que cumprirá a decisão, desde que o plenário da Câmara decida sobre a validade da ação penal
atualizado
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O deputado federal Daniel Silveira (União-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (30/3), que cumprirá a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quando os deputados decidirem, em plenário, sobre a validade da ação penal. O congressista promete ficar alojado na Câmara até que os parlamentares se debrucem sobre o tema.
A fala de Silveira ocorreu na abertura da sessão plenária para votação de proposições legislativas. O deputado classificou a decisão de Moraes, que o obriga a recolocar a tornozeleira eletrônica, como “inadmissível” e “inaceitável”. Ele disse, porém, não se recusar a cumprir ordens judiciais.
“O que ocorre é que se trata de uma ordem judicial emanada pelo ministro e que coloca em xeque todo Parlamento e Poder Legislativo. Ele impõe medidas cautelares em um deputado antes que isso seja analisado pela Casa. E o julgamento da ADI 5526 é muito claro: tem que passar pela Casa, caso aconteça de atrapalhar direta ou indiretamente o livre exercício do mandato parlamentar”, defendeu na tribuna.
Para o congressista, a determinação “abre precedente contra o Legislativo e uma escalada de autoritarismo por uma única pessoa”. “Isso é inadmissível”, disparou. “Até aceito sim a imposição, quando os deputados decidirem se vai ser ou não aplicada”, completou.
O deputado narrou ser vítima de uma “persecução política”. “Uma persecução eivada de vícios formais desde o início, esse processo já deveria ter sido anulado porque nasce com fulcro em inquéritos constitucionais. É inaceitável. Por isso, peço o respeito às imunidades parlamentares e aceito a decisão sim, quando os deputados decidirem dessa maneira”, completou.
Silveira passou a noite no gabinete em protesto contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar que a Polícia Federal recoloque a tornozeleira eletrônica no congressista, também o proibindo de participar de eventos públicos. Além disso, ele não poderá se ausentar do Rio de Janeiro, salvo para ir a Brasília para exercer o mandato de deputado federal.
Ele quer que a Câmara paute e suste a decisão de Moraes. No plenário, na terça-feira à tarde (29/3), o deputado disse que não cumpriria a decisão do ministro e chamou Moraes de “sujeito medíocre”. Pouco depois, o ministro do STF autorizou a Polícia Federal e a Vara de Execuções Penais a cumprir a decisão dentro da Câmara, se necessário.
À noite, o deputado afirmou que dormiria no plenário, pois “é inviolável”, e desafiou o ministro.
“Vou [passar a noite no plenário], mas isso não é relevante. Não tem relevância nenhuma. Quero ver até onde vai a petulância de alguém pra romper com os outros dois Poderes. O plenário é inviolável, quero saber se ele quer dobrar essa aposta e mostrar que ele manda nos outros Poderes”, declarou.












